A tecnologia como aliada no envelhecimento saudável

Cerca de 70% dos idosos usaram a internet em 2024, salientando a aproximação da terceira idade com a tecnologia

Por *Henrique Giacomin

Imagem de um idoso pedalando uma bicicleta num parque
Dispositivos como relógios e pulseiras inteligentes são capazes de acompanhar a frequência cardíaca, a qualidade do sono e até os níveis de glicose – Foto: Marcos Santos/USP Imagens
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Segundo dados do IBGE, o número de idosos que utilizaram a internet chegou a 24,5 milhões no ano de 2024. Enquanto em 2019 apenas 44,8% se conectavam à rede, o número chegou a quase 70% das pessoas nessa faixa etária. Embora seja difícil dizer exatamente quais foram os usos das internet pelos idosos, as inovações tecnológicas promovem novos serviços e ferramentas com potencial uso pela terceira idade.

Com o avanço das inovações digitais, surgem cada vez mais ferramentas que ajudam na prevenção de doenças, na reabilitação, na autonomia e até no combate à solidão. Segundo Egídio Dorea, médico e coordenador do programa USP 60+ da Pró-Reitoria de Cultura e Extensão Universitária da USP, “a tecnologia vem permitindo que muitas pessoas envelheçam com mais independência, conforto e segurança. Desde dispositivos que monitoram sinais vitais em tempo real até plataformas que facilitam a comunicação com médicos ou familiares, ela se tornou uma ferramenta de apoio para que o idoso possa permanecer ativo e integrado à sociedade.”

A tecnologia como aliada no envelhecimento saudável 2
Egídio Lima Dorea – Foto: Arquivo pessoal

Aging in place e a tecnologia

Mediante os avanços tecnológicos, cresce também o conceito de aging in place. A ideia é que, por meio da tecnologia, os idosos possam envelhecer no próprio lar com qualidade de vida. A proposta é que dispositivos e softwares possam garantir uma maior qualidade de vida sem abdicar do conforto.

Atualmente, dispositivos como relógios e pulseiras inteligentes são capazes de acompanhar a frequência cardíaca, a qualidade do sono e até os níveis de glicose. Aplicativos voltados para alimentação, atividade física e meditação têm incentivado hábitos saudáveis, enquanto sistemas baseados em inteligência artificial ajudam médicos a prever riscos e recomendar tratamentos personalizados.

A tecnologia também está presente na reabilitação. Ferramentas como jogos interativos e realidade virtual vêm sendo usadas com ótimos resultados em terapias motoras e cognitivas, tornando o processo mais envolvente e eficaz. Dispositivos de segurança doméstica: sensores, câmeras, assistentes de voz, que conseguem detectar quedas ou mudanças de comportamento, também dão mais autonomia para o idoso e mais tranquilidade para a família. “É um campo que ainda vai crescer muito nos próximos anos”, comenta Dorea.

Comunicação e contato 

Programas e softwares como as redes sociais também se tornam importantes no processo do envelhecimento. Aplicativos de mensagens e videochamadas têm o potencial de diminuir o isolamento social — que pode ser um dos grandes desafios da terceira idade. Para além disso, campos como o da telemedicina  permitem consultas on-line, prescrições digitais e acompanhamento a distância. Dessa forma, a tecnologia pode garantir acesso à saúde de forma rápida e segura, especialmente para quem vive longe dos grandes centros ou tem dificuldade de locomoção.

Embora seja necessário levar em consideração questões como o letramento digital e a integração tecnológica em todas as faixas etárias no País, mas especialmente na terceira idade, a tecnologia abre possibilidades para uma velhice mais ativa, conectada e segura. “Essas ferramentas digitais não substituem o contato humano, mas complementam o cuidado. Elas ampliam o acesso, promovem autonomia e criam novas possibilidades de interação e cuidado personalizado”, complementa Dorea.

*Sob supervisão de Paulo Capuzzo e Cinderela Caldeira


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