A governadora de Pernambuco e candidata à reeleição, Raquel Lyra (PSD), reagiu neste domingo (30) a cartazes apócrifos espalhados por Recife que fazem referência à morte de seu marido, o empresário Fernando Lucena. Em vídeo publicado nas redes sociais, ela pediu respeito à família e à memória do empresário.
Raquel afirmou que viu imagens dos cartazes quando saía para uma agenda de campanha na Zona da Mata Sul de Pernambuco. Segundo a governadora, o episódio representa uma manifestação de ódio.
“Respeite minha família, respeite meus filhos, respeite quem não está mais aqui, respeite minha dor”, afirmou Raquel Lyra.
Fernando Lucena morreu em 2022, aos 44 anos, após sofrer um infarto. A morte ocorreu na véspera do primeiro turno das eleições daquele ano, quando Raquel disputava o governo de Pernambuco.
Tá difícil falar sobre isso. Mas, infelizmente, é necessário. Os ataques de ódio, que começaram nas redes sociais, agora ganharam as ruas do Centro do Recife. Vamos seguir em frente. Sem medo e sem baixar a cabeça. O tempo da opressão e da perseguição passou. E não vai voltar. pic.twitter.com/zzmbIJHHTZ
— Raquel Lyra (@raquellyra) August 30, 2026
Raquel Lyra critica material espalhado durante campanha
No vídeo, Raquel Lyra classificou a situação como uma demonstração de crueldade e afirmou que a disputa política não pode ultrapassar determinados limites. “O tempo da opressão e da perseguição passou. E não vai voltar. Porque na política, como na vida, não vale tudo”, declarou.
A governadora também fez um apelo para que a memória do marido e os filhos do casal sejam preservados durante a campanha eleitoral.
João Campos também repudia cartazes
João Campos também repudiou os cartazes que fizeram referência à morte do marido de Raquel Lyra durante a campanha eleitoralVídeo: João Campos/joaocampos/Instagram
Principal adversário de Raquel Lyra na disputa pelo governo de Pernambuco, João Campos (PSB) também se manifestou contra o conteúdo dos cartazes.
Em vídeo publicado nas redes sociais, o candidato chamou o material de “um completo absurdo” e afirmou que pretende acionar a Justiça contra qualquer pessoa que tente relacioná-lo ou atribuir a prática à sua campanha.
Campos também mencionou a própria experiência familiar. O pai dele, o ex-governador Eduardo Campos, morreu em 2014, durante a campanha presidencial. “Eu perdi meu pai durante uma eleição. A candidata Raquel perdeu o marido durante uma eleição. Nós sabemos a dor que isso representa para uma família”, afirmou.
Para João Campos, familiares não devem ser utilizados como instrumento de disputa eleitoral. Ele defendeu que a Justiça Eleitoral identifique os responsáveis pela produção, pelo financiamento e pela distribuição do material.
Raquel Lyra e João Campos trocam acusações durante campanha
O episódio ocorre em meio à troca de acusações entre Raquel Lyra e João Campos, envolvendo supostos “gabinetes do ódio” nas campanhas.
As suspeitas dizem respeito ao uso de estruturas digitais para produzir conteúdos e ataques contra adversários políticos por meio de páginas e perfis nas redes sociais.
O assunto ganhou força após uma reportagem da TV RECORD revelar um suposto esquema envolvendo um servidor comissionado do governo de Pernambuco. Amisadai Andrade da Silva foi gravado afirmando que teria sido contratado para produzir publicações com o objetivo de “desidratar” João Campos.
Após a divulgação do caso, o servidor foi exonerado. Segundo a emissora, o episódio estaria sendo apurado pela Polícia Federal. O governo de Pernambuco nega as acusações.
Justiça Eleitoral manda retirar conteúdos sobre suposto “gabinete do ódio”
O TRE de Pernambuco (Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco) determinou a retirada de vídeos que associavam Raquel Lyra ao suposto “gabinete do ódio” contra João Campos.
A decisão estabeleceu prazo de 24 horas para a remoção de publicações de quatro perfis no Instagram. Os conteúdos já foram retirados do ar.
Na decisão liminar, o desembargador eleitoral Luiz Gustavo Mendonça de Araújo afirmou que as publicações apresentavam como fatos comprovados suspeitas levantadas pela reportagem.
Segundo o magistrado, não havia comprovação da existência do esquema atribuído a Raquel. A decisão apontou que a reportagem reunia indícios de uma possível estrutura voltada à disseminação de notícias falsas, mas não apresentava uma conclusão definitiva sobre a existência do suposto esquema.
A Justiça Eleitoral também determinou que a Meta forneça dados que possam ajudar a identificar os responsáveis pelos quatro perfis citados na ação, incluindo informações cadastrais e registros de conexão.