A derrota para o Atlético-GO por 1 a 0 foi dura para o Avaí, principalmente pela maneira como aconteceu. O jogo caminhava para um empate justo, depois de uma partida muito equilibrada, quando o time Azurra sofreu um gol no apagar das luzes. Perder assim sempre dói mais, porque fica a sensação de que um ponto estava praticamente assegurado e escapou por um detalhe que poderia ter sido evitado.
As fortes chuvas que atingiram Florianópolis deixaram o gramado da Ressacada pesado pelas águas. Os jogadores tiveram dificuldades até para se manter de pé em alguns momentos e a partida acabou ficando amarrada, com muita marcação, erros de passe e pouca possibilidade de construir jogadas com a qualidade desejada. Era preciso entender o cenário e jogar de acordo com ele.
Mesmo nessas condições, o Avaí conseguiu criar as melhores oportunidades no primeiro tempo. Jean Lucas e Felipe Vizeu tiveram chances importantes, mostrando que o time conseguia encontrar espaços mesmo diante das dificuldades. O Atlético-GO teve mais posse de bola, mas isso não significou necessariamente maior domínio ou criação de oportunidades.
Receba no WhatsApp as principais notícias do mundo esportivo Entre no grupo
O atacante Vizeu, do Avaí, na condução de bola no ataque no jogo contra o Atlético-GOFoto: Fabiano Rateke/AFC/NDNa segunda etapa, o Avaí cresceu. A equipe passou a controlar melhor as ações, principalmente depois das substituições, ousadas até de Allan Aal, que foi ofensivo, e conseguiu empurrar o Atlético-GO para o seu campo de defesa. Teve a melhor oportunidade do jogo com Paulo Vitor e, em determinados momentos, parecia mais perto de encontrar o gol do que o adversário. Faltou, porém, transformar essa superioridade territorial em vantagem no placar.
Os números ajudam a explicar o equilíbrio. O Atlético-GO terminou com 58% de posse de bola e 17 finalizações, contra 16 do Avaí. Quando olhamos para os chutes no gol, entretanto, o cenário muda: foram seis finalizações certas do Leão contra três dos goianos. Ou seja, não foi uma partida em que o Avaí foi dominado. Pelo contrário. O time competiu, criou e teve condições de sair da Ressacada com um resultado melhor.
Por isso mesmo, o lance do gol no final pesa ainda mais. Quando o empate parecia encaminhado, veio o cochilo na cobrança de escanteio. Bruno José, um jogador de baixa estatura, apareceu para marcar. E aqui está o principal ponto de cobrança: não é aceitável que uma equipe com zagueiros e volante mais altos perca justamente esse tipo de disputa dentro da área.
Bola parada exige concentração, posicionamento e responsabilidade individual. Não adianta fazer uma partida equilibrada, controlar o adversário na maior parte do segundo tempo e criar as melhores chances se, no momento decisivo, a equipe perde a referência de marcação. É um detalhe, mas são esses detalhes que muitas vezes definem jogos e campeonatos.
As entradas dos volantes Cristiano e Netinho, no lugar de Leandro Vilella e Peixoto, deu mais controle de bola, tirando o Atlético-GO do sufoco que o Leão estava impondo e contribuiu para a vitória do adversário do Avaí no final.
A derrota não deve apagar tudo o que o Avaí fez de positivo na partida. Houve competitividade, reação e uma melhora clara na segunda etapa. Mas também precisa servir de alerta. Não pode cochilar.
Dois jogos fora para o Avaí buscar os pontos perdidos
O zagueiro Reynaldo, do Avaí, em posicionamento de saída de bola contra o Atlético-GOFoto: Fabiano Rateke/AFC/NDAgora, o Avaí terá de buscar fora de casa, contra Novorizontino e Fortaleza, jogos duros, os pontos que deixou escapar na Ressacada. E essa é a parte mais incômoda da derrota: não foi um jogo em que o adversário foi muito superior.
O Avaí teve condições de vencer ou, no mínimo, sair com um ponto. Faltou transformar o bom momento do segundo tempo em gol e, principalmente, não cometer o erro defensivo no último lance.
É uma derrota que machuca, mas que precisa ser transformada rapidamente em reação. O campeonato não permite muito tempo para lamentação. O Avaí precisa levar para o próximo jogo a competitividade mostrada diante do Atlético-GO, corrigir a bola parada e recuperar longe de casa aquilo que perdeu em Florianópolis.