Gasolina, etanol e diesel S-10 ficaram mais baratos em agosto, no terceiro mês consecutivo de queda. Segundo levantamento da ValeCard, o etanol puxou o movimento com recuo de 2,06% na média nacional, contra 0,68% da gasolina e 0,51% do diesel S-10.
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Na média do país, a gasolina passou de R$ 6,821 para R$ 6,774 por litro. O etanol caiu de R$ 4,365 para R$ 4,275, e o diesel S-10, de R$ 7,196 para R$ 7,159. Desde maio, o etanol acumula queda de 7,45%, muito acima de 1,97% do diesel e 1,21% da gasolina.
Há um prazo curto embutido nesse alívio: em 26 de agosto, o governo prorrogou a subvenção à gasolina apenas até 9 de setembro. A medida segura repasses e, sem renovação, parte da pressão hoje contida pode chegar à bomba.
Qual combustível compensa mais em cada estado
| Posição | Estado | Gasolina (R$/l) | Etanol (R$/l) | Etanol/gasolina | Compensa mais |
|---|---|---|---|---|---|
| 1º | Roraima | 8,168 | 4,445 | 54,4% | Etanol |
| 2º | Mato Grosso | 6,993 | 3,911 | 55,9% | Etanol |
| 3º | Amapá | 7,660 | 4,502 | 58,8% | Etanol |
| 4º | São Paulo | 6,558 | 3,865 | 58,9% | Etanol |
| 5º | Mato Grosso do Sul | 6,782 | 4,158 | 61,3% | Etanol |
| 6º | Goiás | 6,799 | 4,201 | 61,8% | Etanol |
| 7º | Paraná | 6,675 | 4,210 | 63,1% | Etanol |
| 8º | Distrito Federal | 6,701 | 4,342 | 64,8% | Etanol |
| 9º | Minas Gerais | 6,599 | 4,357 | 66,0% | Etanol |
| 10º | Acre | 7,688 | 5,125 | 66,7% | Etanol |
| 11º | Amazonas | 7,395 | 4,930 | 66,7% | Etanol |
| 12º | Bahia | 7,039 | 4,694 | 66,7% | Etanol |
| 13º | Rondônia | 7,405 | 5,173 | 69,9% | Etanol |
| 14º | Paraíba | 6,818 | 4,778 | 70,1% | Gasolina |
| 15º | Santa Catarina | 6,495 | 4,556 | 70,1% | Gasolina |
| 16º | Pará | 7,297 | 5,131 | 70,3% | Gasolina |
| 17º | Rio Grande do Sul | 6,337 | 4,460 | 70,4% | Gasolina |
| 18º | Ceará | 7,190 | 5,089 | 70,8% | Gasolina |
| 19º | Tocantins | 7,308 | 5,179 | 70,9% | Gasolina |
| 20º | Piauí | 7,300 | 5,251 | 71,9% | Gasolina |
| 21º | Rio de Janeiro | 6,695 | 4,820 | 72,0% | Gasolina |
| 22º | Pernambuco | 7,095 | 5,164 | 72,8% | Gasolina |
| 23º | Espírito Santo | 6,807 | 4,970 | 73,0% | Gasolina |
| 24º | Alagoas | 7,157 | 5,253 | 73,4% | Gasolina |
| 25º | Rio Grande do Norte | 6,847 | 5,051 | 73,8% | Gasolina |
| 26º | Maranhão | 7,094 | 5,278 | 74,4% | Gasolina |
| 27º | Sergipe | 7,410 | 5,537 | 74,7% | Gasolina |
| – | Média nacional | 6,774 | 4,275 | 63,1% | Etanol |
Etanol compensa em 17 estados
A queda mais forte do biocombustível ampliou sua vantagem. Em agosto, o etanol custava, em média, 63% do preço da gasolina, contra cerca de 64% em julho. Pelo parâmetro de até 70% usado como referência inicial para carros flex, o etanol passou a compensar em 17 estados, contra 13 em julho e dez em junho.
As melhores relações ficaram em Roraima (54%), Mato Grosso (56%), Amapá e São Paulo (59% cada). O preço médio mais baixo do etanol foi o paulista, de R$ 3,865 por litro; o mais alto, o de Sergipe, com R$ 5,537. O biocombustível recuou em 25 estados, com alta apenas no Distrito Federal (4,70%) e em Sergipe (0,13%).
Norte na contramão
A gasolina caiu em 19 estados, com destaque para a Bahia, onde o preço médio recuou 1,83%. O Distrito Federal teve a maior alta, de 4,04%. O Rio Grande do Sul registrou o litro mais barato do país, R$ 6,337, e Roraima o mais caro, R$ 8,168 — diferença de R$ 1,831 que expõe o peso da logística regional.
No diesel S-10, a queda também alcançou 19 estados, puxada por Pernambuco, Paraíba, Tocantins, Minas Gerais e Santa Catarina. O Norte, porém, andou na direção oposta: Acre, Amazonas, Amapá e Roraima subiram sem interrupção em junho, julho e agosto. O Acre acumula alta de 11,59% desde maio e agora tem o diesel mais caro do país, a R$ 8,233 o litro, enquanto o Rio Grande do Sul mantém o mais barato, a R$ 6,368.
Para Marcelo Braga, diretor de Mobilidade e Operações da ValeCard, o mercado entrou em “um período de maior acomodação, mas isso não significa ausência de riscos”. Ele aponta petróleo, câmbio e custos logísticos como as variáveis mais sensíveis, sobretudo para o diesel, e credita parte da queda à subvenção ao combustível.
O quadro se desenha em um ambiente de inflação mais fraca: o IPCA-15 de agosto registrou deflação de 0,40%, com 4,24% acumulados em 12 meses, segundo o IBGE.
O levantamento da ValeCard não usa dados oficiais de preço: baseia-se em transações feitas com os cartões da empresa entre 1º e 26 de agosto, em mais de 25 mil postos credenciados no país.
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