A recente sequência de vazamentos e manutenções na adutora da BR-282, em Palhoça, mobilizou equipes da Casan (Companhia Catarinense de Águas e Saneamento), afetou 18 unidades escolares em Florianópolis e deixou milhares de moradores sem abastecimento na região desde a última segunda-feira (31).
Mas, afinal, de onde vem a água transportada por essa tubulação vital? A resposta está no chamado SIA (Sistema Integrado de Abastecimento) da Grande Florianópolis, que funciona como o “coração” hídrico da região.
A rota da água: do rio até a torneira
A água que percorre a adutora afetada é captada nos rios Pilões e Cubatão. Após ser retirada da natureza, ela passa por um rigoroso processo de tratamento na Estação de Tratamento de Água (ETA) Cubatão.
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A partir dessa usina central, a adutora de grande porte atua como uma mega-autoestrada de distribuição, transportando o recurso já potável para cinco municípios integrados:
- Florianópolis
- São José
- Palhoça
- Biguaçu
- Santo Amaro da Imperatriz
Por responder por aproximadamente 70% de todo o volume de água consumido na região metropolitana, qualquer dano ou fissura nessa tubulação provoca um efeito dominó no abastecimento, o que explica a falta registrada em diversos pontos diferentes.
A ETA Cubatão é operada pela CasanFoto: Casan/DivulgaçãoPor que o impacto não é igual em todos os bairros?
Durante episódios de rompimento ou manutenção, moradores do Norte da Ilha costumam ter menos problemas de desabastecimento do que quem vive no Centro ou no Continente. A razão é geográfica e estrutural:
- Centro e Continente: São as áreas mais diretamente dependentes do Sistema Integrado. Por estarem conectadas diretamente ao fluxo principal vindo da ETA Cubatão, sentem o desabastecimento quase de forma imediata quando a rede é fechada para reparos.
- Norte, Sul e Leste da Ilha: Embora também recebam reforço do sistema principal, essas regiões possuem fontes alternativas locais. Elas contam com sistemas próprios de poços artesianos e estações locais descentralizadas — como a ETA Lagoa do Peri, a ETA Campeche e a ETA Ingleses. Essa rede de apoio garante uma “reserva tática” e explica por que o impacto nestes locais é bem menor ou mais demorado para ser percebido.
Situação deve ser normalizada nesta quinta-feira
A Casan informou que os trabalhos de reparo na adutora danificada foram concluídos às 16h30 desta quarta-feira (2). Após o término da manutenção, a equipe operacional realizou o aterramento e fechamento da rede, dando início à etapa de limpeza da tubulação.
Na sequência, será executado o processo de carga e pressurização da rede para a retomada do SIA da Grande Florianópolis, sob acompanhamento constante da equipe de engenharia.
O retorno do abastecimento ocorrerá de forma gradativa, entre a madrugada e ao longo do dia na quinta-feira (3). Vale ressaltar que áreas mais altas e distantes podem levar mais tempo para ter o fornecimento normalizado.

Adutora rompeu às margens da BR-282, em Palhoça, na última segunda-feiraVídeo: Palhoça Mil Grau/Instagram