Por que ainda não temos carros dirigindo sozinhos no Brasil? – Jornal da USP

Já viu um robô humanoide em uma corrida de obstáculos? Em uma competição de robôs, máquinas humanoides correm, pulam e tentam manter o equilíbrio. Embora pareça uma tarefa simples para um ser humano, fazer um robô executar movimentos tão básicos ainda é um desafio tecnológico, e as quedas são frequentes. A dificuldade ajuda a ilustrar um problema que também aparece nos veículos autônomos: tarefas que parecem intuitivas para as pessoas podem ser extremamente complexas para os computadores.

Apesar dos avanços, os robôs ainda têm dificuldade para executar movimentos que, para os humanos, parecem triviais. As máquinas têm facilidade em tarefas que, para os humanos, exigem muita concentração, tempo e treinamento, como resolver longos cálculos ou aprender a jogar xadrez. Mas o contrário também acontece: nos robôs, é um desafio enorme projetar habilidades sensório-motoras e de percepção extremamente básicas para os humanos.

Entre os pesquisadores da robótica e inteligência artificial, essa inversão de complexidade das tarefas por parte do computador recebe o nome de “Paradoxo de Moravec”. O cientista da computação Hans Moravec, que dá nome ao paradoxo, resumiu, em 1988, que é “comparativamente fácil fazer os computadores exibirem desempenho adulto em testes de inteligência, mas é difícil ou até mesmo impossível dar-lhes as habilidades de uma criança de um ano quando se trata de percepção e mobilidade”.

Essa característica emerge no desempenho dos VAs, que ainda lidam com grandes dificuldades na tomada de decisões em situações de tráfego ainda não simuladas. “A máquina é muito rápida para descobrir padrões e fazer cálculos, mas não consegue generalizar o conhecimento da mesma forma. No caso dos veículos autônomos, esse é justamente um dos desafios: uma pessoa aprende a dirigir com poucas dezenas de horas de prática e consegue lidar com situações diferentes das que encontrou durante o treinamento. Isso não acontece da mesma forma com a robótica”, explica Shimanuki.

O pensamento lógico é recente nos humanos. Já mexer o corpo, reagir a estímulos externos e tomar decisões rápidas em situações de risco são ações quase automáticas, mas que levaram milhões de anos para se desenvolverem nos animais. Moravec escreveu que “[no] cérebro humano, está um bilhão de anos de experiência sobre a natureza do mundo e como sobreviver nele. Somos todos prodigiosos olímpicos nas áreas perceptiva e motora, tão bons que fazemos o difícil parecer fácil”.

Os computadores lidam bem com regras fixas, mas o domínio e fluidez das habilidades físicas ainda está distante, pois, como Moravec pontuou, elas realmente não são triviais. Por isso, segue sendo um desafio de segurança conseguir automatizar um veículo para reagir à quantidade esmagadora de possibilidades e estímulos do mundo real.

Clique aqui para acessar a Fonte da Notícia

VEJA MAIS

Hotelga 2026 reúne 200 marcas expositoras em 20 mil m² de área

A maior feira de hotelaria e gastronomia de Argentina se encerra hoje no centro de…

Independência do Brasil: astrologia lê traços do país – 07/09/2026 – Astrologia

Vanessa Tuleski Astróloga personare Nesta segunda-feira, 7 de setembro de 2026, o Brasil completa 204…

Confira a agenda dos presidenciáveis nesta segunda-feira (7)

A agenda dos presidenciáveis nesta segunda-feira (7) inclui atos em alusão ao 7 de Setembro,…