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Caos aéreo no Reino Unido chega ao segundo dia após falha técnica com mais de 200 voos cancelados

Milhares de passageiros ainda enfrentam atrasos e cancelamentos após pane que afetou o espaço aéreo britânico (Banco de imagens Unsplash/Belinda Fewings)

Os passageiros que viajam pelo Reino Unido enfrentam, pelo segundo dia consecutivo, uma série de atrasos e cancelamentos após uma falha técnica no sistema de controle de tráfego aéreo do país. O problema, registrado na terça-feira (08), afetou aeroportos como Heathrow e Gatwick e continua provocando impactos na operação nesta quarta-feira (09).

A British Airways cancelou quase 200 voos nesta quarta-feira devido ao deslocamento de aeronaves e tripulações provocado pela interrupção, informou a companhia em comunicado. Na terça-feira, os aeroportos britânicos registraram mais de 1.750 voos afetados, segundo dados compilados pela Cirium.

A dimensão dos impactos está relacionada à complexidade da retomada da operação. Com milhares de voos circulando diariamente pelo espaço aéreo britânico, aeronaves e tripulações acabam ficando fora de suas posições originais, exigindo uma reorganização da malha e a realização de voos adicionais para transportar passageiros que ficaram retidos.

Heathrow prevê reflexos ao longo do dia

O Aeroporto de Heathrow, o mais movimentado do Reino Unido, informou que a operação está em recuperação, mas alertou que os passageiros ainda devem enfrentar impactos decorrentes do reposicionamento de aeronaves e tripulações. O aeroporto afirmou que reforçou as equipes nos terminais para auxiliar os passageiros e contribuir para a retomada dos serviços.

Nigel Wicking, CEO do Heathrow Airline Operators Committee, afirmou durante uma reunião do comitê de Transportes do Reino Unido que muitas aeronaves foram deslocadas para diferentes pontos da Europa durante a interrupção. Segundo ele, o retorno dessas aeronaves ao Reino Unido é dificultado pela disponibilidade limitada de slots adicionais no Heathrow.

O Aeroporto de Gatwick, outro importante hub de Londres, também afirmou que a operação ainda deve levar algum tempo para voltar completamente à normalidade.

Falha atingiu sistema de controle de tráfego aéreo no Reino Unido

A interrupção teve origem em um problema técnico na NATS, empresa responsável pelo controle de tráfego aéreo no Reino Unido. A companhia opera a partir de Swanwick, em Hampshire. O governo britânico descartou a possibilidade de um ataque cibernético.

Em comunicado, a NATS classificou a recuperação como um processo complexo e afirmou que a falha provocou dificuldades em toda a rede de aviação, o que deve demandar tempo para ser normalizado.

O centro de operações da NATS em Swanwick administra o espaço aéreo de rota sobre a Inglaterra e o País de Gales até a fronteira com a Escócia, além do tráfego em altitudes mais baixas de e para os aeroportos de Londres.

Novos questionamentos sobre a infraestrutura aérea

A nova falha também reacende questionamentos sobre a resiliência da infraestrutura de aviação do Reino Unido. Nos últimos anos, outros problemas no sistema de controle de tráfego aéreo provocaram grandes interrupções.

No verão do ano passado, uma falha relacionada a radares levou à paralisação do espaço aéreo britânico. Em 2023, outro problema na NATS interrompeu o tráfego aéreo e deixou aeronaves, tripulações e passageiros fora de posição.

Martin Rolfe, CEO da NATS há mais de 11 anos, estava no comando da empresa durante os episódios anteriores. Companhias como Ryanair e Wizz Air já haviam pedido sua saída. Nesta quarta-feira, Michael O’Leary, CEO da Ryanair, voltou a criticar Rolfe e o classificou como um “fracasso supervalorizado”.

Rolfe afirmou à BBC Radio 4 que será realizada uma investigação completa sobre o episódio. Ele também tinha reunião prevista com a secretária de Transportes do Reino Unido, Heidi Alexander, para discutir a falha de tecnologia.

O governo britânico detém 49% da NATS, além de uma ação com poder de bloqueio. O restante da estrutura acionária é financiado por companhias aéreas, pelo operador do Heathrow, LHR Airports Limited, e funcionários da própria NATS.

Heathrow opera cerca de 1.400 voos por dia

O impacto da falha ganha dimensão adicional diante do volume de operações do Heathrow. O aeroporto, localizado no sudoeste de Londres, movimenta aproximadamente 1.400 voos e 200 mil passageiros diariamente. Nos horários de pico, cerca de 40 aeronaves decolam por hora, em média.

O aeroporto também é um dos principais pontos de conexão para companhias aéreas do Oriente Médio, como Emirates e Qatar Airways. Essas empresas já enfrentam desafios operacionais relacionados aos impactos do conflito entre Israel e Irã.

A Emirates, por exemplo, opera aproximadamente uma dúzia de voos por dia para os aeroportos de Londres, muitos deles realizados com aeronaves Airbus A380.

A combinação entre a falha no controle de tráfego aéreo, o reposicionamento de aeronaves e tripulações e a alta movimentação dos principais aeroportos britânicos faz com que os efeitos do problema ultrapassem o momento em que o sistema voltou a funcionar, mantendo a pressão sobre a operação aérea do Reino Unido.

Com informações de MoneyControl

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