Uma das mais abrangentes exposições dedicadas à produção de artistas negros no Brasil chega ao Sesc Franca. Dos Brasis – Arte e Pensamento Negro abre em 28 de agosto e permanece em cartaz até 31 de janeiro de 2027, com entrada gratuita.
Com cerca de 90 obras, a exposição reúne pinturas, fotografias, esculturas, instalações, objetos, trabalhos têxteis, documentos e produções audiovisuais. O conjunto apresenta diferentes perspectivas da arte negra brasileira, atravessadas por temas como memória, ancestralidade, espiritualidade, identidade e experiências sociais.
A abertura contará ainda com apresentação da Velha Guarda da Mangueira, que celebra 70 anos de trajetória com um repertório dedicado às matrizes do samba carioca, incluindo o samba-enredo que dá nome à exposição.
Com curadoria-geral de Igor Simões, a montagem do Sesc Franca preserva a proposta conceitual das edições realizadas anteriormente no Sesc Belenzinho, em São Paulo, e no Centro Cultural Sesc Quitandinha, em Petrópolis (RJ), mas estabelece novas relações com o território.
Nesta edição, passam a integrar a exposição sete obras do Acervo Sesc de Arte, com trabalhos de artistas como No Martins, Eustáquio Neves, Isa do Rosário, Lidia Lisbôa, Jorge dos Anjos e Miguel Penha Chiquitano. A mostra também conta com obras da Coleção Arte Sesc Brasil e de coleções do Sesc de Minas Gerais, Pernambuco, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul.
A relação com Franca aparece também nas trajetórias de três nomes presentes na exposição: Abdias Nascimento, Isa do Rosário e Carlos de Assumpção.
Nascido em Franca em 1914, Abdias Nascimento foi artista, escritor, dramaturgo, professor, político e ativista. Fundador do Teatro Experimental do Negro, tornou-se uma das principais referências brasileiras no combate ao racismo e na valorização da cultura negra. O vínculo com sua obra também marca a história recente do Sesc Franca, que iniciou suas atividades, em 2024, com a exposição O Quilombismo – Documentos de uma Militância Pan-africanista.
Isa do Rosário, nascida em Batatais e radicada em Franca, desenvolve trabalhos que unem bordado, artes visuais, poesia, ancestralidade e referências às culturas afro-brasileiras.
Já o poeta Carlos de Assumpção, que escolheu Franca como lugar de vida e criação, tornou-se uma referência da literatura negra brasileira. Seu poema Protesto, de 1958, é considerado um marco pela denúncia do racismo e pela defesa da liberdade e da dignidade.