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Mais de 63 milhões de passageiros viajaram sem seguro no 1º semestre, aponta Affinity

Alexandre Lança, diretor de Marketing,da Affinity Seguro (Ana Azevedo/M&E)

Mais de 63 milhões de passageiros viajaram sem seguro viagem no Brasil entre janeiro e junho de 2026, segundo levantamento realizado pelo Affinity Seguro Viagem a partir de dados públicos da Superintendência de Seguros Privados (Susep) e da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). O número representa 96,9% dos 65,2 milhões de passageiros considerados na análise dos mercados doméstico e internacional e evidencia o espaço ainda disponível para expansão do produto no país.

No primeiro semestre, 15.044.705 passageiros realizaram viagens internacionais. Desse total, 1.529.889 tinham seguro viagem, enquanto 13.514.816 embarcaram sem a cobertura. O grupo corresponde a aproximadamente 89,8% dos viajantes internacionais no período.

A diferença é ainda mais acentuada no mercado doméstico. Dos 50.181.271 passageiros contabilizados entre janeiro e junho, somente 520.109 viajaram com seguro. Outros 49.661.162 embarcaram sem a cobertura, o equivalente a cerca de 99% do total.

Considerando os dois mercados, foram 65.225.976 passageiros, dos quais 2.049.998 tinham seguro e 63.175.978 não contavam com o produto. Para o canal de distribuição, o cenário aponta para um potencial que vai além da conquista de novos consumidores: há uma parcela expressiva de pessoas que já compra passagens, hospedagens e pacotes por meio de agentes, mas ainda não inclui a proteção entre os itens planejados para o roteiro.

Oportunidade dentro da carteira

Na avaliação do Affinity, o próprio processo de venda pode abrir espaço para ampliar a presença do seguro. O agente de viagens acompanha diferentes etapas da jornada do cliente e, por isso, pode considerar aspectos como destino, duração e características do roteiro para apresentar alternativas adequadas a cada perfil.

“Os números mostram de forma muito clara o tamanho do mercado que ainda temos pela frente. Mais do que olhar apenas para a carteira de clientes que já compra seguro viagem, é importante enxergar o universo de pessoas que continuam viajando sem essa proteção. Existe uma oportunidade enorme para agentes e corretores ampliarem sua atuação e, ao mesmo tempo, contribuírem para que mais viajantes tenham acesso a uma viagem mais protegida”, afirma Alexandre Lança, diretor de Marketing do Affinity Seguro Viagem.

Além do potencial comercial, a oferta também está relacionada aos riscos aos quais o passageiro fica exposto durante o deslocamento. Problemas de saúde, acidentes, atendimentos médicos ou odontológicos, extravio de bagagem, cancelamentos e outras ocorrências podem gerar despesas inesperadas, de acordo com as condições e coberturas previstas em cada apólice.

Em destinos internacionais, a atenção pode ser ainda maior diante dos custos de serviços médicos em determinados países. Para Lança, esse é um dos momentos em que o profissional pode assumir uma postura mais consultiva, explicando ao cliente não apenas a existência do produto, mas quais situações podem estar contempladas na contratação.

“Em viagens internacionais, a atenção é ainda maior, já que despesas médicas podem atingir valores elevados dependendo do destino. É nesse momento que o agente pode assumir um papel consultivo, explicando ao cliente que o seguro não deve ser considerado apenas uma formalidade, mas uma ferramenta de proteção para diferentes situações previstas na apólice”, ressalta.

Seguro integrado à venda

O levantamento também reforça a possibilidade de incorporar o seguro ao planejamento desde o início da negociação. Em vez de apresentá-lo apenas na etapa final, o agente pode incluí-lo na composição do roteiro ao lado de passagens, hospedagem, transfers e passeios.

A mudança de abordagem pode fazer com que o produto deixe de ser percebido como um complemento à compra e passe a integrar a própria organização da viagem. Nesse processo, a conversa sobre possíveis imprevistos pode ocorrer junto às demais decisões tomadas pelo passageiro.

“Quando o agente amplia a conversa sobre a viagem e passa a considerar também os imprevistos que podem acontecer durante o roteiro, o seguro deixa de ser apenas mais um item da venda. Ele passa a fazer parte da experiência que o profissional está ajudando a construir para o cliente. E existe um enorme universo de passageiros que ainda não recebe essa oferta”, complementa Lança.

Com mais de 63 milhões de passageiros viajando sem seguro apenas nos seis primeiros meses do ano, os dados utilizados pelo Affinity apontam para um mercado potencial que permanece pouco explorado no país. Para o trade, o cenário coloca a proteção de viagem como uma possibilidade de ampliar o atendimento ao consumidor dentro de uma venda que, em muitos casos, já está em andamento.

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