Presidente dos EUA confirma recusa de proposta iraniana de cessar-fogo de sete dias e afirma que Washington mantém “controle total” da rota marítima; Teerã diz que suas forças navais controlam o acesso ao estreito
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, confirmou neste sábado (26) que rejeitou o plano de sete dias apresentado pelo Irã para reabrir o Estreito de Ormuz, bloqueado desde o início da guerra. A proposta condicionava a normalização do trânsito marítimo a uma série de medidas de Washington, incluindo o levantamento das sanções petrolíferas e o fim do bloqueio naval americano.
Antes de embarcar no helicóptero Marine One, nos jardins da Casa Branca, Trump confirmou que recebeu a proposta iraniana, mas foi direto: “Fizeram uma proposta, mas a rejeitei”. Em seguida, acrescentou: “Querem fazer um acordo, o que é bom, eu gosto de acordos. Mas esse acordo não seria aceitável”.
A proposta iraniana
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abás Araqchi, anunciou em Nova York que Teerã enviou o plano a Washington por meio do Catar, um dos mediadores do conflito. A iniciativa propunha um cessar-fogo regional de sete dias e exigia que os Estados Unidos levantassem o bloqueio naval, suspendessem as sanções ao petróleo iraniano e liberassem ativos iranianos congelados.
Pelo cronograma apresentado, a reabertura do estreito estava prevista para o sexto dia, após Washington cumprir as condições estabelecidas nas cinco primeiras jornadas. No sétimo dia, Irã e Estados Unidos retomariam as conversações para um acordo definitivo, que também abrangeria o programa nuclear iraniano. Araqchi afirmou que a proposta poderia avançar se “a parte americana levar a sério a possibilidade de chegar a um acordo”.
Impasse nas negociações
As negociações entre os dois países permanecem estagnadas desde julho, quando Trump deu por encerrado um memorando de entendimento alcançado no mês anterior. O acordo havia sido firmado após ataques iranianos contra navios e petroleiros em Ormuz, mas foi rompido e deu lugar a novos intercâmbios de ataques e ao restabelecimento do bloqueio naval americano contra o Irã.
Controle da rota marítima
Trump afirmou que Washington mantém “o controle total” do passo marítimo, apesar do bloqueio. Segundo o presidente, por ali circulam diariamente “quantidades massivas” de petróleo bruto, e 29 embarcações transitaram na noite anterior.
O regime iraniano, no entanto, contestou a versão. O porta-voz da Guarda Revolucionária, general de brigada Hosein Mohebi, declarou que “o Estreito de Ormuz está sob o controle das forças navais da Guarda Revolucionária”, segundo a agência Tasnim. Mohebi questionou a afirmação de Trump sobre o domínio americano da via e sustentou que os Estados Unidos, apesar de disporem da maior Armada do mundo, não conseguiram manter o estreito aberto “nem sequer durante algumas horas”. O porta-voz militar acrescentou que, antes da guerra, dezenas de embarcações atravessavam o passo diariamente — em alguns momentos, mais de uma centena — e que agora só circulam carregamentos de petróleo de parceiros comerciais do Irã autorizados por Teerã.