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Ex-funcionário roubou 54 carros zero-km de fábrica da Caoa usando notas falsas e colega inexistente

Um ex-funcionário da fábrica da Caoa em Anápolis (GO) é acusado de desviar 54 carros zero-quilômetro do local entre o fim de 2023 e o início de 2025.

NÃO FIQUE DE FORA do que acontece de mais importante no mundo sobre rodas!

Segundo o Ministério Público de Goiás, os veículos saíam pela porta da frente, com nota fiscal, e eram vendidos a comerciantes de São Paulo, que desmontavam parte deles para revender as peças.

O prejuízo para a empresa é estimado em R$ 8.775.844,52 — o equivalente a cerca de R$ 162 mil por carro. As suspeitas começaram após falhas no estoque serem notadas e a investigação partiu quando surgiram inconsistências no controle de estoque da fábrica.

Como funcionava o esquema

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Foto: Ministério Público de Goiás | DIvulgação

Segundo a denúncia, o ex-funcionário se valeu do acesso e da confiança decorrentes da sua função para emitir notas fiscais de remessa para industrialização por encomenda — procedimento comum quando carros novos seguem para blindagem ou instalação de acessórios antes da venda.

Os pedidos vinham de um analista que não existia. De acordo com o Gaeco, o investigado criou o perfil de um analista de marketing fictício e enviava, em nome dele, solicitações por e-mail para que os veículos fossem liberados.

Os veículos deixavam Anápolis em caminhões-cegonha, como em um frete normal do setor. Em São Paulo, eram vendidos bem abaixo do valor de mercado. Segundo o MP, houve também envio de carros para Santa Catarina.

Peças eram vendidas como “de zero km”. Parte dos carros ficava inteira em oficinas e galpões; outra parte era desmontada logo após a chegada. Os componentes eram oferecidos em lojas físicas e nas redes sociais, e alguns anúncios usavam a origem zero-quilômetro como argumento de venda.

A ação da polícia

Na terça-feira (29), o Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) do MP-GO deflagrou mais uma etapa da Operação Sucata 0 km, com 12 mandados de busca e apreensão em endereços comerciais e residenciais na capital paulista e em São Bernardo do Campo, no ABC.

As ordens foram executadas por policiais do Deic (Departamento Estadual de Investigações Criminais), da Polícia Civil paulista, com apoio do Gaeco do Ministério Público de São Paulo.

O Ministério Público não divulgou o nome da empresa. O AutoPapo apurou, entretanto, que trata-se da Caoa, que produz carros da Caoa Chery e caminhões da Hyundai na cidade goiana. Procurada pela reportagem, a montadora não quis se pronunciar.

Imagens reveladas pelo MP mostram unidades do Hyundai HR e carrocerias dos Caoa Chery Tiggo 5x e Tiggo 8 entre os bens apreendidos.

O que acontece agora

A denúncia ainda será analisada. O Gaeco denunciou à Vara Criminal de Anápolis o ex-funcionário e empresários apontados como compradores por associação criminosa, furto qualificado mediante fraude e abuso de confiança, de forma continuada, e receptação qualificada no exercício de atividade comercial. Cabe à Justiça decidir se aceita a acusação.

Bens dos investigados foram bloqueados. A Justiça determinou o sequestro e a indisponibilidade de bens móveis, imóveis e valores, com bloqueio de contas pelo Sisbajud e restrições sobre veículos pelo Renajud, para garantir um eventual ressarcimento à montadora.

O paradeiro dos carros segue em apuração. Os investigadores ainda tentam descobrir quantos dos 54 veículos continuam inteiros e quantos já viraram peças.

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