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Lavagem de dinheiro e crimes ambientais: Transparência Internacional capacita agentes públicos em cursos on line | Transparência Internacional

Em setembro de 2026, a Transparência Internacional – Brasil realizou dois cursos para fortalecer a atuação de agentes públicos no enfrentamento à lavagem de dinheiro associada a crimes ambientais. As formações, abertas a profissionais do sistema de justiça, do sistema antilavagem e de órgãos ambientais, agropecuários e minerários, reuniram especialistas de instituições como o Ministério Público Federal, a Polícia Federal, o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF) e a Receita Federal.

No total, os cursos contaram com 178 participantes, que representaram os nove Estados da Amazônia, São Paulo, Minas Gerais e o Distrito Federal.

Por que conectar lavagem de ativos e crimes ambientais?

Crimes como o garimpo ilegal, a exploração ilegal de madeira, a grilagem de terras e o tráfico de fauna silvestre não ocorrem de forma isolada. Com frequência estão ligados a organizações criminosas e a esquemas de corrupção, que operam e lucram com a ocultação e a inserção dos recursos obtidos de maneira criminosa – como madeira, ouro, animais silvestres – na economia formal.  

Essas organizações dependem de estruturas financeiras para dar aparência de legalidade ao que foi obtido ilegalmente: ouro extraído sem autorização, madeira esquentada com documentos falsos, terras griladas que são transferidas, animais silvestres traficados e gado de origem irregular que chega aos frigoríficos.  

Por isso, os dois cursos adotaram uma abordagem antilavagem: em vez de olhar somente para o dano ambiental, eles acompanham o caminho do dinheiro, identificando os fluxos financeiros que sustentam esses crimes, para prevenir, detectar, investigar e responsabilizar quem lucra com a destruição.  

Os cursos foram organizados pela Transparência Internacional-Brasil, com apoio da Freeland Brasil e do Bureau of International Narcotics and Law Enforcement Affairs (INL), órgão do governo dos Estados Unidos. 

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Os cursos olharam para o caminho do dinheiro, identificando os fluxos financeiros que sustentam os crimes ambientais. Foto: Reprodução

Visão sistêmica entre crimes ambientais, corrupção e lavagem de ativos

O primeiro curso foi voltado a agentes públicos do sistema antilavagem, do sistema de justiça e de órgãos e entidades ambientais, agropecuárias e minerárias. Foram dez aulas, divididas em dois dias. Três das aulas foram dedicadas a estudos de caso, cujo objetivo foi dar aos participantes uma visão integrada entre crimes ambientais, corrupção, organizações criminosas e lavagem de ativos.  

A programação percorreu as principais cadeias de crimes ambientais na Amazônia. No primeiro dia, o procurador Daniel Azeredo (MPF) abordou crimes ambientais, organizações criminosas e corrupção na região; Dário Cardoso, da Transparência Internacional – Brasil, apresentou diferentes tipos de lavagem de ativos associadas aos crimes ambientais. Vivian Calderoni, do Instituto Igarapé, e Juliana Ferreira, da Freeland Brasil, discutiram, respectivamente, a lavagem de ativos na pecuária e no tráfico de animais silvestres. Galtiênio Paulino (MPF) tratou da grilagem de terras e trouxe detalhes de um trabalho que investigou juízes e desembargadores envolvidos neste tipo de crime – a Operação Faroeste