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IA a serviço da educação: o professor no centro da transformação

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Polo Educacional Sesc no Rio de Janeiro | Foto: Divulgação

No Dia dos Professores, celebrar quem ensina é também reconhecer a complexidade de seu trabalho. Conhecer os estudantes, planejar experiências, acompanhar avanços e escolher a intervenção adequada são decisões que exigem conhecimento, sensibilidade e compromisso. É a partir desse trabalho que devemos pensar o lugar da inteligência artificial na educação.

A mudança já está em curso. A TALIS 2024, pesquisa internacional da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), mostra que 56% dos professores brasileiros dos anos finais do ensino fundamental relataram utilizar IA no trabalho, acima da média de 36% dos sistemas educacionais da OCDE. Entre os docentes brasileiros que utilizam a tecnologia, 64% afirmam empregá-la para ajustar a dificuldade dos materiais às necessidades de aprendizagem dos estudantes.

Esse é um dos usos promissores da IA. Cada turma reúne estudantes com repertórios, ritmos, dificuldades e potencialidades diferentes. O professor conhece essa diversidade e trabalha diariamente para que todos avancem. Acompanhar cada trajetória, identificar dificuldades e preparar intervenções exige tempo, condições de trabalho e apoio pedagógico.

Érlei José de Araújo é Diretor de Educação, Pesquisa e
Dados do Departamento Nacional do Sesc

A inteligência artificial pode contribuir para esse acompanhamento. Ao processar dados de atividades e avaliações, ajuda a identificar padrões, acompanhar avanços e sugerir percursos de aprendizagem. Essas informações ampliam as possibilidades de atuação docente quando são interpretadas à luz do currículo, do contexto da turma e do conhecimento que o professor tem de cada estudante.

O professor define os objetivos, analisa as evidências, decide e intervém. A tecnologia apoia esse percurso. Dados educacionais ganham valor quando orientam uma ação pedagógica e permitem acompanhar seus efeitos na aprendizagem.

Pensemos em uma situação possível: uma avaliação indica que parte da turma precisa consolidar determinada habilidade. Com apoio da tecnologia, o professor pode analisar as dificuldades, organizar grupos, selecionar atividades e propor diferentes caminhos. Depois, acompanha os resultados e revê o planejamento. A personalização ganha sentido dentro de uma jornada comum, com objetivos claros e oportunidades para todos aprenderem.

Essa compreensão orienta a concepção e a implantação da Rede Sesc de Educação, que estamos construindo desde 2022. Nosso compromisso é conectar currículo, avaliação, formação continuada, material didático autoral, tecnologia e gestão em um ecossistema que apoie o trabalho das escolas e amplie as oportunidades de aprendizagem.

Cada iniciativa precisa contribuir para esse propósito. O currículo orienta o que ensinar; a avaliação ajuda a compreender o que os estudantes aprenderam; o material didático apoia as experiências de aprendizagem; e a formação fortalece a capacidade dos educadores de transformar essas referências em prática.

Nesse ecossistema, a Sesc Sab.IA oferece recursos de aprendizagem adaptativa e de acompanhamento das trajetórias dos estudantes. Os dados das atividades apoiam a análise das necessidades de aprendizagem e a proposição de trilhas que precisam ser avaliadas e ajustadas pelos educadores. Seu valor está na conexão com o planejamento, as intervenções e o acompanhamento realizado pelas equipes escolares.

Construir uma rede também significa oferecer referências comuns e fortalecer a capacidade de decisão de cada escola. Os professores e as lideranças locais conhecem seus estudantes, suas famílias e seus territórios. Esse conhecimento é essencial para transformar uma orientação nacional em uma experiência de aprendizagem relevante.

Por isso, a formação continuada é uma escolha estratégica. Cabe à gestão criar condições para que os profissionais se apropriem das soluções, compartilhem experiências e tenham tempo para analisar evidências e planejar intervenções. A inovação precisa fazer sentido no cotidiano de quem ensina.

O uso da IA exige, ainda, cuidado com os dados, análise crítica das recomendações e atenção às condições de acesso. Cabe aos educadores orientar os estudantes a utilizar esses recursos com responsabilidade, verificar informações e desenvolver autonomia intelectual.

Inovar na educação é organizar melhores condições para ensinar e aprender. A qualidade desse movimento deve ser acompanhada pelas oportunidades que criamos e pelos avanços dos estudantes.

Neste Dia dos Professores, reafirmamos nosso reconhecimento a quem transforma conhecimento em aprendizagem e abre caminhos para o futuro. Ao integrar inteligência artificial à educação, nosso compromisso é fortalecer esse trabalho, valorizando a competência, a autoria e a capacidade de decisão de cada educador.

 

Fonte dos dados citados: OCDE. Results from TALIS 2024 – Country notes: Brazil (2025).
https://www.oecd.org/en/publications/results-from-talis-2024-country-notes_e127f9e2-en/brazil_1e93d3b5-en.html

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