O custo médio de uma violação de dados no Brasil chegou a R$ 7,44 milhões em 2026, o maior valor já registrado no país, segundo o relatório anual Cost of a Data Breach, divulgado nesta quinta-feira (15) pela IBM.
O montante é 3,5% superior aos R$ 7,19 milhões do ano anterior. O estudo, conduzido pelo Ponemon Institute, analisou 602 organizações em 16 países e regiões que sofreram incidentes entre março de 2025 e fevereiro de 2026.
No país, o setor de saúde tem o prejuízo mais alto, com custo médio de R$ 12,55 milhões por violação, seguido por tecnologia, com R$ 8,96 milhões, e serviços, com R$ 8,63 milhões.
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O uso de tecnologia na defesa separa os resultados. Organizações brasileiras que aplicam IA e automação de forma ampla na segurança tiveram custo médio 30% menor. Entre as que não adotam essas ferramentas, a conta sobe para R$ 8,69 milhões, mais de R$ 2,6 milhões acima do primeiro grupo.
Ataques com inteligência artificial
A inteligência artificial também mudou o ataque. No mundo, uma em cada quatro ameaças maliciosas já é conduzida por IA, alta de 56% sobre o estudo anterior, e cada incidente desse tipo custa em média US$ 1 milhão a mais que os demais.
“A economia dos ciberataques está mudando radicalmente. A inteligência artificial permite aos criminosos automatizar etapas, explorar vulnerabilidades em maior escala e acelerar ataques a um custo cada vez menor”, afirma o líder em serviços de cibersegurança para a IBM Consulting na América Latina, Nicolas Mucci.
Para as empresas, quanto maior o atraso, maior o custo. “Quanto mais tempo uma falha permanece sem correção, maior a probabilidade de exploração e maior o esforço necessário para conter as ameaças”, completa Mucci.
No Brasil, phishing, incluindo golpes por voz e SMS, e o comprometimento da cadeia de suprimentos foram as principais portas de entrada, com 16% dos incidentes cada e custo médio de R$ 7,93 milhões e R$ 7,32 milhões, respectivamente.
A complexidade dos sistemas de segurança acrescentou R$ 645,2 mil ao custo de cada violação, e o uso de aplicações não autorizadas por funcionários, a chamada shadow IT, somou R$ 720,3 mil.
Do lado da proteção, testes de segurança ofensivos, que simulam ataques reais, geraram economia média de R$ 579.422 por incidente. Em seguida vêm a criptografia, com R$ 478.111, e a gestão de credenciais, com R$ 454.700. Ainda assim, apenas 37% das organizações violadas no mundo criptografavam dados sensíveis.