O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse discordar da avaliação do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, sobre a necessidade de corte de gastos para reduzir a taxa de juros e impulsionar o crescimento.
Questionado sobre a declaração de Galípolo — indicado pelo petista ao cargo — de que o modelo de crescimento baseado no estímulo ao consumo estaria esgotado, Lula defendeu que a solução para a sustentabilidade fiscal passa pela expansão da economia, e não por cortes que afetem a população de baixa renda.
“O jeito de você resolver o problema fiscal é fazer a economia crescer”, afirmou o presidente à TV Globo nesta quinta-feira (15).
Lula resgatou dados de seus mandatos anteriores, destacando que assumiu o país como a 12ª economia mundial em 2003 e o entregou como a 6ª, quitando dívidas com o FMI (Fundo Monetário Internacional) e acumulando reservas internacionais.
Segundo ele, o atual governo repete a trajetória, com a expectativa de alcançar a 8ª posição global no próximo ano.
‘Eu to preocupado’, confessou Lula sobre crescimento da dívida
Confrontado com o fato de a dívida pública ter crescido 10 pontos percentuais em seu atual mandato, gerando alertas de economistas sobre a insustentabilidade dessa trajetória, Lula admitiu preocupação com o controle do orçamento, mas defendeu uma “tese econômica própria”.
O presidente argumentou que a chave para o desenvolvimento está na microeconomia, citando o fortalecimento do microcrédito e o apoio a pequenos empreendedores.
“Muito dinheiro na mão de poucos é pobreza, e pouco dinheiro na mão de muitos é riqueza”, resumiu.
Lula também justificou o endividamento do Estado quando os recursos são destinados à construção de ativos produtivos, como ferrovias, hidrelétricas e portos, que geram retornos futuros.
“Eu estou propondo não cortar do pobre. Diferente do meu adversário, que já anuncia que não haverá aumento de salário mínimo acima da inflação. No meu caso, tem”, disse o petista.