O pastor Renato Vargens, da Igreja Cristã da Aliança em Niterói (RJ), expressou críticas à pesquisa que monitorou cultos e missas para identificar crimes eleitorais. Ele levantou preocupações sobre os limites dessa iniciativa e os riscos à liberdade religiosa.
Detalhes da pesquisa
Conforme reportado pelo Exibir Gospel, a pesquisa foi conduzida pelo grupo Passagens da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) em parceria com a organização More in Common. O estudo analisou milhares de horas de áudios de celebrações religiosas transmitidas pelo YouTube nas duas semanas anteriores ao primeiro turno das eleições.
Preocupações levantadas por Vargens
Em artigo publicado no Pleno.News, Renato Vargens questionou o direito dos pesquisadores de acompanhar manifestações feitas em igrejas com o objetivo de identificar possíveis irregularidades. Ele argumentou que abordar temas sociais e morais durante as pregações não significa, necessariamente, cometer infrações eleitorais.
“Desde quando alguém tem o direito de controlar o que se prega e fala numa igreja?”
—Renato Vargens
O pastor destacou que a liberdade religiosa deve garantir que celebrações ocorram sem vigilância do Estado ou de terceiros. Ele também levantou dúvidas sobre a obtenção dos áudios e se os responsáveis pelas igrejas tinham conhecimento do monitoramento.
Critérios de análise e possíveis implicações
Vargens questionou os critérios usados para classificar as falas como crimes ou menções indevidas. Ele alertou para a possibilidade de que métodos semelhantes possam ser usados no futuro para pressionar comunidades religiosas por suas posições.
“O mesmo método pode servir a qualquer governo, grupo ou ideologia que queira intimidar comunidades religiosas.”
— Renato Vargens
A pesquisa tinha como objetivo identificar menções políticas e possíveis crimes eleitorais em cultos e missas. No entanto, a presença de referências a políticos ou a temas públicos não comprova, por si só, a ocorrência de uma infração eleitoral, cuja caracterização depende da conduta analisada e das circunstâncias previstas na legislação.