Como é o novo Honda Prelude, que desembarca no Brasil em 2026?

Um dos grandes destaques apresentados durante no Salão do Automóvel deste ano, o Honda Prelude roubou a cena no palco da montadora japonesa. Só se falava dele. E até o principal novo produto da marca, o WR-V, acabou tendo que disputar as atenções.

Não é para menos. Afinal, o nome tem muita história dentro da marca e entre os entusiastas. Ao todo, o Honda Prelude teve cinco gerações entre os anos de 1978, quando foi lançado, até sair de linha, em 2001. No Brasil, em especial, o público conheceu a quarta geração, vendida globalmente entre os anos de 1992 e 1996, e que chegou ao país durante a primeira leva de importados após a reabertura das importações em 1990. 



Honda Prelude vendido no Brasil durante a década de 1990 

Foto de: Edu Pincigher

Originalmente, o modelo era um cupê baseado no pacato Accord e apostava forte na dinâmica e no baixo peso e com maior apelo emocional que o sedã que lhe deu origem. Não era um arrasa quarteirões em potência, mas seu comportamento e relação peso x potência agradaram em cheio o público.

A nova geração, já confirmada pela Honda para o próximo ano no Brasil, apostará em uma fórmula bem diferente das anteriores. Isto porque apesar de continuar como um cupê 2+2, deixa de ser um derivado do Accord para ganhar parentesco com o Civic de atual geração.

Segundo a Honda, a nova geração mede 4,67 metros de comprimento, 1,80 metro de largura, 1,43 metro de altura e tem entre-eixos de 2,73 metros. Em relação ao Civic sedã híbrido, o cupê é mais longo e mais baixo, mas mantém proporções semelhantes no entre-eixos. A capacidade do porta-malas é menor: são 264 litros no Prelude, contra 495 litros do sedã, diferença esperada pela proposta mais esportiva.

Já diante do Civic Type R da décima-primeira geração, que mede 4.598 mm de comprimento, 1.890 mm de largura e tem entre-eixos de 2.735 mm, o Prelude é mais comprido, porém 88 mm mais estreito. O porta-malas também é menor: o Type R oferece 337 litros, ou 73 litros a mais que o novo Prelude.



Honda Prelude (Brasil)

Foto de: Honda



Esportivos: Fiat Pulse Abarth, VW Jetta GLI e Honda Civic Type R

Yin e Yang

Com o Prelude e o Civic Type R, a Honda cria um verdadeiro yin e yang dentro da linha esportiva. O Type R continua como o extremo mais tradicional – câmbio manual, motor 2.0 Turbo VTEC de 297 cv e 42,8 kgfm e foco assumido em desempenho bruto. O Prelude já entra como a alternativa para quem busca esportividade com alguma eletrificação, combinando o e:HEV 2.0 híbrido de 203 cv e 32,1 kgfm do Civic sedã ao mesmo conjunto de suspensão utilizado no hatch esportivo.

A diferença entre os dois também aparece na relação peso-potência. O Type R, com 1.452 kg declarados, tem em torno de 4,8 kg por cavalo de potência, enquanto o Prelude – com 1.480 kg, segundo dados divulgados pela Honda Europa – opera na casa dos 7,2 kg por cavalo. São propostas distintas: o Type R privilegia resposta imediata e entrega mais agressiva, enquanto o Prelude aposta em eficiência, suavidade e um comportamento esportivo mais progressivo, sem abrir mão de certa civilidade para uso diário.



Honda Prelude (Brasil)

Foto de: Honda

Mesmo como opção eletrificada, o Prelude traz um tempero próprio. O sistema S+ Shift, inédito na linha híbrida da Honda, simula trocas de marcha por meio de paddle shifters em um conjunto que, por natureza, funciona como CVT. A solução busca aproximar a experiência do motorista de um câmbio convencional, oferecendo controle mais direto e sensação de maior participação, algo pouco comum em powertrains híbridos.



Honda Prelude (Brasil)

Foto de: Honda



Honda Civic Advanced Hybrid 2026

Honda Civic Advanced Hybrid 2026

Foto de: Honda

Fotos de: Honda

Interior de Civic, mas mais refinado

Se no exterior o novo Prelude se diferencia bastante do Civic hatch e sedã, por dentro ele não esconde suas origens. Veja como o interior aproveita bastante do que já vimos no Civic. A base é a mesma, com o painel horizontal, a tela flutuante de 9″ e o conjunto de comandos bem distribuídos. A moldura metálica das saídas de ar, o volante multifuncional e o cluster digital reforçam essa familiaridade.

Apesar disso, a linguagem visual segue caminhos bem distintos. O Prelude usa partes em branco no painel, criando um contraste mais elegante, além de apostar em uma cabine mais escura e envolvente, com sensação de maior refinamento e tecnologia. Já o Civic 2026 aparece todo em preto, com superfícies contínuas.



Honda Prelude (Brasil)

Foto de: Mario Villaescusa / Motor1.com

Uma questão de preço

A grande dúvida que fica é justamente o preço. No exterior, onde já é vendido, o novo Prelude chegou com preços bem salgados. Nos Estados Unidos, ele será oferecido apenas na versão Hybrid, por US$ 42.000, algo próximo dos R$ 226.800. O problema é que esse valor é praticamente o mesmo que a BMW cobra por um Série 2 230i Coupé, que custa US$ 41.700 (R$ 225.180), um modelo premium de fato.

O Civic Type R, por sua vez, parte de US$ 45.895 nos EUA (algo como R$ 247.800) e custa R$ 429.900 no mercado brasileiro. Considerando esse cenário, não seria exagero imaginar o novo esportivo híbrido chegando aqui por valores bem próximos aos do Type R, na casa dos R$ 400.000.

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