Quando tudo dá errado, a explicação está sempre pronta: a culpa é do outro. Do chefe, do governo, da economia, de Marte retrógrado, da infância infeliz. Nunca — jamais — cogitamos que a origem do problema possa estar na nossa própria biografia. Afinal, assumir culpa significa admitir que erramos. E errar é humano, mas confessar o erro é quase um ato subversivo contra o próprio ego.
A fórmula é velha, mas funciona para preservar a autoestima: transfere-se o peso para terceiros e mantém-se intacta a ilusão de perfeição. Só que a vida não negocia com ilusão. Ela é uma contadora implacável que anota cada gasto, cada desperdício, cada semente plantada. Porque no fim, é sempre a mesma lei: “O plantio é livre, mas a colheita é obrigatória”.
Se quisermos uma solução real, é dentro de nós que devemos procurar. Do lado de fora, só encontraremos distrações bem embaladas — terapias da moda, frases motivacionais com filtro no Instagram, gurus que vendem felicidade por assinatura. Tudo isso pode até aliviar, mas curar, não cura.
A receita é incômoda e barata: pare. Respire. Examine a sua vida com a frieza de um detetive diante da cena do crime. Veja o rastro dos próprios passos, identifique onde e por que resolveu seguir por aquela rua sem saída. Sem maquiagem, sem desculpa, sem a retórica autoindulgente que tanto nos conforta.
Encontrada a origem, a solução é matemática: elimine-a. Corte a raiz e a planta seca sozinha. Difícil? Muito. Mas funciona. O problema é que, ao eliminar a causa, também eliminamos a desculpa — e aí não teremos mais ninguém para culpar.
E isso, convenhamos, é quase pior do que o problema em si.
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Grande Oriente do Paraná
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