Você já parou para pensar como uma simples infração de trânsito pode ter consequências completamente diferentes dependendo do país? Em alguns lugares, uma multa pesa no bolso; em outros, pode custar o carro ou até a liberdade.
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Ao redor do mundo, as leis de trânsito acompanham a cultura, renda média, rigor do Estado e, principalmente, a forma como cada sociedade lida com a segurança no trânsito.
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Quando a multa vira punição
Em países onde a tolerância é mínima, o trânsito é tratado como assunto sério de Estado. No Japão, por exemplo, dirigir alcoolizado pode render até três anos de prisão e multas que chegam a 10 milhões de ienes, algo próximo de R$ 450 mil. Além disso, a carteira de habilitação pode ser suspensa por até cinco anos.
Já na Noruega, a punição pode ser ainda mais rígida. Em casos de embriaguez ao volante, o carro do infrator pode ser apreendido e vendido para quitar a multa.
Na Alemanha, famosa pelas Autobahns sem limite de velocidade em alguns trechos, a tolerância acaba assim que o motorista sai dessas vias. Em áreas urbanas, o excesso de velocidade pode levar à apreensão do veículo, além de multas salgadas e suspensão do direito de dirigir.
Multas proporcionais à renda
Alguns países adotaram um modelo que assusta, principalmente quem tem renda alta. Na Finlândia, o valor da multa é calculado com base no salário diário do infrator. O sistema divide a renda diária por dois e multiplica pelo número de “diárias” definido pela gravidade da infração.
O resultado das multas que podem chegar perto de R$ 800 mil. Para o governo finlandês, a punição precisa doer, independentemente da conta bancária.

Um dos nossos leitores relata ter sentido esse impacto na prática ao dirigir pela Toscana, na Itália. Em uma estrada com limite de 90 km/h, ele foi flagrado a 128 km/h. O resultado veio semanas depois, uma multa de € 132,70, aproximadamente R$ 857,79.
O valor chama atenção, mas o episódio ganha ainda mais contraste quando comparado ao que acontece no Reino Unido.
Por lá, quem é multado por excesso de velocidade normalmente tem duas opções: pagar cerca de 100 libras (em torno de R$ 740) e receber pontos na carteira que não expiram em um ano ou fazer um curso com duração de duas a três horas, pagar o mesmo valor e não receber pontos. Segundo moradores, cerca de 99,9% dos motoristas optam pela segunda alternativa.
Leis curiosas (e fáceis de esquecer)
Na França, por exemplo, motoristas são obrigados a portar um bafômetro no carro, e crianças menores de 10 anos, em regra, não podem ocupar o banco da frente. Nos Estados Unidos, virar à direita com o sinal vermelho é permitido em muitos estados, desde que não haja pedestres, enquanto, por outro lado, transportar bebida alcoólica dentro do veículo pode gerar multa, a depender da legislação local.
Em Chipre, até mesmo beber um suco enquanto dirige pode resultar em punição. Na Grécia, fumar ao volante é considerado infração, assim como o uso do celular. Na Bulgária, manter o carro sujo não é apenas sinal de descuido, mas pode render multa logo na entrada do país.
Já na Espanha, algumas cidades adotam um sistema de estacionamento alternado entre dias pares e ímpares, e errar o lado da rua pode sair caro.

E no Brasil?
No Brasil, as multas variam de R$ 88,38 (infração leve) a R$ 293,47 (gravíssima), podendo ser multiplicadas em casos como dirigir sob efeito de álcool, quando o valor chega a R$ 2.934,70. Isoladamente, não parecem as mais altas do mundo.
No fim das contas, o que muda mesmo é a forma de lidar com o erro. Em países britânics, o motorista pode aprender com a infração. No Brasil, não há essa chance, a punição vem no formato tradicional de multa e pontos, sem um caminho educativo no meio do processo.