Ford Focus também teve lote perdido da Venezuela

Apesar de não viver seu melhor momento, a Venezuela têm uma longa história com o mundo automotivo. Sua geografia ajuda bastante neste aspecto, já que o país é riquíssimo em reservas de petróleo. Na verdade, possui atualmente o maior volume do mundo, com mais de 17,5% das reservas comprovada de petróleo do planeta.

O grande volume facilitou, durante bons anos de boom de commodities, que o abastecimento de carros tivesse valor quase irrisório, o que facilitou a chegada de uma forte indústria automotiva durante os anos 50 e 60 por lá, que seguia o gosto norte-americano por modelos grandes e motores V6 e V8. Questões políticas a parte, o país acabou tendo dificuldades de extrair esse volume no início da década de 2000, muito por falta de investimentos, sanções externas e corrupção.

Mesmo assim, o gosto por marcas norte-americanos gerou alguns modelos bem curiosos feitos para o gosto local. Um deles é até bem conhecido do mercado brasileiro, caso do Chevrolet Monza SR. O hatchback chegou a ser fabricado por lá via kits CKD, indo desmontado do nosso país, e era oferecido com mais equipamentos e refinamento do que seu equivalente nacional. Por questões de demanda, algumas centenas de unidades acabaram retornando ao Brasil e sendo vendidas pela frota interna, virando objeto de desejo pelos fãs do modelo.

Um dos casos mais recentes é de 2008. Naquela época, a Ford importava para a Venezuela o hatch médio Focus diretamente da Argentina, como também acontecia no Brasil. Oferecido em versões e motorização bem parecidas com a dos países vizinhos, o Focus ”Venezuela” se diferenciava dos brasileiros por ter sua versão intermediária, a GLX, com bem mais refinamento e equipamentos do que a oferecida por aqui.



Não foi só o Monza: Ford Focus também teve série Venezuela

Foto de: Garagem do Mesquita/Armazém do Vovô



Não foi só o Monza: Ford Focus também teve série Venezuela

Foto de: Garagem do Mesquita/Armazém do Vovô



Não foi só o Monza: Ford Focus também teve série Venezuela

Foto de: Garagem do Mesquita/Armazém do Vovô

Fotos de: Garagem do Mesquita/Armazém do Vovô

Os freios poderiam contar com assistência ABS e disco nas rodas traseiros, duas luzes de ré traseiras, cinto para o passageiro central traseiro de três pontos e apoio de cabeça, faróis de milha dianteiros de série, limpador de para-brisas com temporizador regulável e, como forma de diferenciação externa, o emblema 2.0 Duratec na tampa traseira, alocado do lado direito. 

Tal como aconteceu com o Monza, o médio da Ford acabou parando no Brasil, sendo vendido para a frota interna da montadora norte-americana naquele ano. Ao todo, foram 300 unidades, que estavam disponíveis com a motorização 2.0 e opção tanto de câmbio manual quanto automática. É até difícil encontrar imagens oficiais do modelo. A unidade que você vê aqui pertence ao acervo do site Armazém do Vovô.

Hoje, estes modelos são raríssimos, tendo se perdido em meio as outras versões do carro oferecidas na mesma época, mas vem ganhando espaço – e preço – entre os entusiastas do Focus e de modelos já considerados ”neo-colecionáveis”.

Quem ainda está na Venezuela?

É possível observar isto pelo abandono das próprias marcas na região. A Chevrolet, que chegou a fabricar até o Camaro no país, viu suas vendas ruírem e os prejuízos ficarem tão altos que sua operação se tornou insustentável, sendo obrigada a abandonar suas operações no país em 2017. Ford e FCA (hoje Stellantis) seguiram pelo mesmo caminho. Hoje, apenas a Toyota está presente no país.

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