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Como a Inteligência Artificial vai Escolher seus Produtos por Você

Esqueça aquela imagem de robôs futuristas andando pelos corredores das lojas. A verdadeira revolução que está acontecendo no varejo é invisível e acontece dentro dos sistemas que decidem o preço do que você compra e a velocidade com que o produto chega à sua casa. A Inteligência Artificial (IA) parou de ser uma promessa de laboratório para se tornar a ferramenta que garante que o seu tamanho de calça esteja na prateleira e que o desconto que você recebeu no celular faça sentido para o seu bolso.
Para explicar como isso funciona na prática, conversamos com Narques Roberto, especialista da Oracle, que detalha como as máquinas estão aprendendo a entender o consumidor brasileiro e a lidar com os desafios das entregas no Brasil.

Pergunta: Muito se fala que a Inteligência Artificial agora é real nas lojas. Como isso ajuda o consumidor a encontrar preços melhores e produtos que realmente deseja?
Narques Roberto: A Inteligência Artificial ajuda o varejista a ser muito mais preciso. No setor de moda, por exemplo, o sistema consegue prever o que as pessoas vão querer usar na próxima estação. Quando a loja acerta o que o cliente quer, ela não precisa fazer aquelas liquidações desesperadas para desovar estoque parado, o que ajuda a manter o negócio saudável. Além disso, a IA ajuda até a contratar funcionários de forma mais rápida em épocas como o Natal, garantindo que a loja tenha gente suficiente para atender bem o público sem desperdiçar recursos.
Pergunta: No futuro próximo, como os robôs de atendimento e os aplicativos vão mudar a forma como a gente faz mercado ou compra roupas?
Narques Roberto: A forma como descobrimos produtos vai mudar. A previsão é que, até 2026, um em cada quatro consumidores use assistentes digitais especializados para fazer compras. Imagine um “agente pessoal” que fica monitorando o preço de um item que você quer muito. Ele te avisa quando o valor cai ou pode até efetuar a compra para você automaticamente. Para o consumidor, é uma conveniência enorme; para as lojas, é um desafio de estar sempre presente e com dados organizados para serem encontrados por esses assistentes.
Pergunta: Com tanta tecnologia, como fica a nossa privacidade? As lojas sabem demais sobre a gente?
Narques Roberto: O segredo está no equilíbrio e na transparência. O consumidor moderno aceita ser tratado de forma única e receber ofertas que combinem com ele, mas detesta se sentir invadido. Usamos a tecnologia para criar uma visão completa do cliente, mas sempre baseada em informações que ele autorizou compartilhar. Quando a loja usa os dados com responsabilidade para oferecer algo relevante no momento certo, ela cria uma relação de confiança em vez de apenas um anúncio chato.
Pergunta: Por que empresas de tecnologia se preocupam tanto com a organização das informações antes de usar a Inteligência Artificial?
Narques Roberto: Porque a IA só é inteligente se tiver bons dados para ler. Muitas empresas ainda têm informações espalhadas e desorganizadas. É como tentar fazer uma receita sofisticada com a despensa bagunçada. Nós ajudamos as lojas a organizarem tudo em uma base segura e moderna. Só com essa organização é que a tecnologia consegue prever o futuro e tomar decisões rápidas que realmente funcionam no dia a dia da operação.
Pergunta: O Brasil é um país enorme e com estradas difíceis. Como a tecnologia ajuda a fazer com que a encomenda chegue mais rápido e não falte produto na prateleira?
Narques Roberto: A logística no Brasil é um quebra-cabeça complexo por causa das distâncias e dos impostos diferentes em cada estado. A IA hoje funciona como um “GPS inteligente” para as cargas. Se acontece um bloqueio em uma estrada ou um problema em uma região, o sistema recalcula a rota na hora e sugere caminhos alternativos. Isso evita que o produto fique parado e garante que a entrega na sua casa — o que chamamos de última milha — seja feita de forma mais rápida e barata.

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