Como é gratificante chegar aos 85 anos com boas lembranças que merecem ser compartilhadas.
No ano de 2015, quando eu estava na presidência do Instituto Histórico e Geográfico de Paranaguá, recebi um telefonema da professora Terezinha Patituce, que morava em Curitiba, falando sobre a documentação referente à Academia de Música de Dona Zezita, que estava com ela. Pediu que eu fosse visitá-la para conversarmos sobre o assunto. Ela morava no Alto da XV, em um apartamento do Edifício Kepler, onde fui encontrá-la. Passamos uma tarde agradável, recordando os bons tempos da Academia de Piano em Paranaguá. Nessa mesma tarde, ela não só me entregou todo o acervo de Dona Zezita, como também transferiu para mim a responsabilidade da sua preservação. Uma incumbência importante e ao mesmo tempo preocupante.
De volta a Paranaguá, imediatamente providenciei a digitalização de todo o material, tarefa que foi realizada com muito capricho pelo nosso querido amigo e Confrade José Maria de Freitas, o popular “Zé Maria”.
E assim, com esse trabalho de digitalização, demos o primeiro passo no caminho da preservação da nossa história. A seguir veio a pergunta: Onde guardar aqueles livros, fotos, atas, diplomas, enfim, todo o material físico?
Lembramos que não temos um museu em Paranaguá e que também no Instituto Histórico não há um local apropriado para essa guarda.
Assim, levei todo o material para minha casa e guardei com muito cuidado enquanto aguardava uma solução. Imaginem a minha preocupação. O tempo passando, eu sonhando com um museu da música, sem encontrar resposta nas áreas culturais.
Finalmente, depois de muito eu falar sobre o assunto, no início deste ano, minha filha Cláudia teve uma brilhante ideia: Fazer um projeto de doação desse acervo para o “Museu Paranaense”. Sabíamos que lá ficaria muito bem guardado, cuidado, preservado, divulgado e à disposição dos interessados para pesquisa. Assim, iniciamos a catalogação e descrição do material, seguindo passo a passo um histórico fantástico que Dona Zezita teve o cuidado de registrar. Em poucos dias o projeto estava pronto e encaminhado ao “Museu Paranaense”.
Depois de um tempo, para nossa alegria, a resposta foi positiva. Recebemos uma mensagem do Sr. Felipe Vilas Boas que, em nome do Museu, prontificou-se a realizar as tratativas para a doação. Com tudo acertado, o próprio Sr. Felipe Vilas Boas veio ao nosso encontro e, na manhã do dia 10 de dezembro do ano de 2025 estando também presente, representando a Família de Dona Zezita sua neta Luzia Maria Alves Caron, minha filha Márcia e eu, Maria Helena, num clima de muita emoção e na certeza de sermos protagonistas de um momento histórico, entregamos ao “Museu Paranaense” esse importante patrimônio cultural de Paranaguá.