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Síndrome de May-Thurner: o problema anatômico por trás de tromboses em mulheres jovens

Uma compressão vascular pouco conhecida pode estar por trás de casos de trombose sem causa aparente. Mais comum em mulheres jovens, a síndrome de May-Thurner, também conhecida por síndrome de Cockett ainda é subdiagnosticada – e isso pode atrasar o tratamento correto

A trombose venosa profunda costuma estar associada a fatores conhecidos, como imobilização, cirurgias, uso de anticoncepcionais ou doenças específicas. No entanto, em alguns casos, o quadro surge sem uma explicação clara – especialmente em mulheres jovens e saudáveis.

Nessas situações, uma condição anatômica pode estar envolvida: a síndrome de May-Thurner.

Quando a causa está na anatomia

A síndrome ocorre quando a veia ilíaca esquerda é comprimida pela artéria ilíaca direita contra a coluna vertebral. Essa compressão dificulta o retorno do sangue da perna esquerda, favorecendo estase venosa e aumentando o risco de formação de coágulos.

O resultado pode ser dor, sensação de peso, inchaço persistente e, em casos mais graves, trombose venosa profunda. O fato de a compressão acontecer predominantemente do lado esquerdo ajuda a explicar por que muitos quadros de trombose nessa região têm origem nessa alteração. Além da trombose, a síndrome pode ser causa de outro problema que aflige algumas mulheres: as varizes pélvicas, que levam a dores na região pélvica e durante as relações sexuais.

O problema é que essa causa nem sempre é investigada de forma imediata.

Uma condição mais comum do que parece – e pouco diagnosticada

Apesar de não ser considerada rara, a síndrome de May-Thurner ainda é pouco reconhecida na prática clínica. Muitas vezes, o foco do tratamento se limita à trombose em si, sem que a causa anatômica seja identificada. Nos casos de varizes pélvicas, muitas pacientes sofrem anos com dores sem o diagnóstico correto, comprometendo a vida sexual e a própria qualidade de vida da paciente.

Isso pode levar a recorrências, já que o fator predisponente permanece presente.

O diagnóstico exige suspeita clínica e, em geral, exames de imagem mais específicos, como angiotomografia, angiorressonância ou ultrassom com avaliação detalhada do sistema venoso profundo.

Reconhecer a síndrome muda completamente a abordagem.

Tratamento que vai além do anticoagulante

Nos casos de trombose, o tratamento inicial envolve anticoagulação, como em outras situações. Nos casos de varizes pélvicas, essas podem ser relacionadas ou não com a síndrome. No entanto, quando a síndrome de May-Thurner é confirmada, pode ser necessário corrigir a causa mecânica da compressão.

É nesse contexto que entra o tratamento endovascular com colocação de stent na veia ilíaca. O procedimento tem como objetivo restaurar o fluxo sanguíneo, reduzir a pressão venosa e diminuir o risco de novos episódios.

Trata-se de uma abordagem minimamente invasiva, com bons resultados quando bem indicada.

A síndrome de May-Thurner é um exemplo de como nem toda trombose tem origem apenas em fatores clínicos tradicionais.

Em pacientes jovens, especialmente mulheres, investigar causas menos óbvias pode fazer toda a diferença – tanto para o tratamento quanto para a prevenção de recorrências.

Dra. Andréa Klepacz – CRM/SP 128.575 | RQE 51419
Cirurgiã vascular
Membro da Brazil Health

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