• Home
  • Opinião
  • A volta dos jovens à fé cristã revela a falência do individualismo

A volta dos jovens à fé cristã revela a falência do individualismo

Há algumas semanas, o The New York Times noticiou uma nova tendência de jovens adultos que estão retornando ou se juntando à Igreja Católica, apesar dos ataques culturais sofridos por essa instituição por parte das elites políticas e culturais ao longo de décadas.

O artigo cita o Arcebispo Mitchell Thomas Rozanski, de St. Louis, que disse: “Em nossa era de incertezas e em nossa era de grande ansiedade, existe uma sede e uma fome de Deus e da estabilidade que a fé traz para a vida das pessoas.”

Ao que tudo indica, isso não é apenas um desejo. A porcentagem geral da Geração Z que se identifica como cristã aumentou nos últimos anos. Cerca de 45% se identificavam como tal em 2023, e esse número subiu para 51% em 2025.

O que está impulsionando esse retorno à fé?

Os jovens adultos, cansados do isolamento digital e do cinismo cultural, anseiam por fé e comunidade autênticas. Eles querem mais do que o mundo tem a oferecer — um propósito maior do que o mantra cultural do “cada um faz o que quer”. Eles desejam uma comunidade que vá além das mensagens de texto e dos “matches” em seus smartphones.

Gostaria de acreditar que eles anseiam por Deus e pela estabilidade que a fé traz em um mundo de crescente caos. Por quê? Porque, como Alexis de Tocqueville observou no início do século XIX em suas reflexões sobre a América, as igrejas e outras comunidades religiosas “formam uma sociedade” e, sem elas, a sociedade se desintegra em individualismo e confusão moral — o que resume bem nosso atual estado político e cultural.

Como escrevo em meu novo livro “What Really Matters: Restoring a Legacy of Faith, Freedom, and Family” (O Que Realmente Importa: Restaurando um Legado de Fé, Liberdade e Família), é a fé que nos dá propósito, molda os homens em líderes fortes e compassivos, oferece proteção e provisão para mulheres e crianças e nos une em vez de nos separar.

E, como Tocqueville testemunhou, a América foi construída sobre grupos cívicos e outras associações, como as igrejas. Sem eles, a sociedade rapidamente se torna moral, emocional e fisicamente à deriva.

Em contrapartida, quando uma nação possui uma fé vibrante e unificadora, o mantra do “tudo gira em torno de mim”, que resulta em crescente isolamento e desilusão, torna-se cada vez menos atraente. É isso que acredito estar acontecendo com esses jovens adultos.

O que mais poderia estar levando esses jovens de volta à fé? A resposta talvez possa ser encontrada nestas palavras do falecido James Q. Wilson, escritas em 2002:

“A maneira correta e melhor para uma cultura se restaurar é ser reconstruída, não de cima para baixo por políticas governamentais, mas de baixo para cima por decisões pessoais. Nesse sentido, podemos encontrar igrejas — ou pelo menos muitas delas — e a experiência comum dos adultos de que a essência do casamento não é sexo, dinheiro ou mesmo filhos: é compromisso.”

O compromisso com uma comunidade religiosa fortalece outros compromissos na vida — como Wilson observou — com o casamento e a família, que são a base sobre a qual se constrói uma sociedade saudável.

A participação em uma comunidade religiosa pode ser a cura para o isolamento e a solidão

É a fé que proporciona os laços espirituais e emocionais entre dois adultos que assumem um compromisso matrimonial para toda a vida e, por sua vez, nutrem e criam filhos emocional e espiritualmente saudáveis.

É a fé que leva a boas decisões pessoais, em vez de decisões desastrosas.

É a fé que traz restauração pessoal e cultural, em vez de colocar um curativo subsidiado pelo governo para tentar estancar o sangramento, ignorando a causa do problema em primeiro lugar.

Acima de tudo, é a fé que constrói uma base pessoal sólida sobre a qual podem ser construídos resultados positivos e transformadores — resultados que não são possíveis com soluções governamentais seculares, que não oferecem antídoto ou esperança para uma alma vazia e em busca de respostas, mas, em vez disso, colocam vizinho contra vizinho em uma guerra de soma zero.

Por isso, precisamos encarar a atual tendência de crescente interesse pela fé entre os jovens adultos como um investimento a longo prazo, e não como um ganho momentâneo. Com tantas adversidades culturais tentando afastá-los da fé, precisamos aproveitar a oportunidade para ajudá-los a permanecer no caminho da fé, em vez de deixar que seu compromisso seja sufocado pelos espinhos deste mundo.

É essa fé que permitirá aos jovens — e à nossa sociedade — prosperar e se comprometer com o bem comum, em vez de definhar e sucumbir a desejos egoístas.

Para isso, devemos continuar a oferecer aos jovens adultos não uma fé diluída, mas uma fé que proporcione esperança, comunidade e certeza moral — que é o que exemplifica uma sociedade construída sobre os alicerces da “fé, liberdade e família”.

Timothy Goeglein é vice-presidente de relações governamentais e externas da Focus on the Family. Ele é autor (com Craig Osten) de “What Really Matters: Restoring a Legacy of Faith, Freedom, and Family” (Fidelis Publishing).

©2026 The Daily Signal. Publicado com permissão. Original em inglês: Young Adults Are Returning to Faith, but Will It Last?

VEJA TAMBÉM:

  • O que explica o surpreendente aumento da religiosidade entre os jovens
  • Por que a religião está ressurgindo? Três hipóteses

Clique aqui para acessar a Fonte da Notícia

VEJA MAIS

Vitória atinge pior marca da temporada 2026 e busca recuperação contra o Vasco; veja números

A parada da Copa do Mundo não foi nada benéfica para o Rubro-Negro baiano e…

4.500 pessoas prestigiam a 3ª Etapa do Campeonato Sul-Americano Jet Waves em Guarujá

Evento aconteceu na orla da Praia da Enseada no último final de semana Guarujá recebeu,…

Conseguir passaporte italiano não está mais tão fácil

Em 28 de março de 2025, o governo italiano emitiu um decreto que torna mais…