Uma ideia que nasceu nos bancos da universidade, em Paranaguá, e permaneceu por quase uma década amadurecendo até se tornar realidade. Assim surgiu o jogo de tabuleiro “Vida de Tartaruga”, criado pela bióloga parnanguara Fernanda Felisbino, com o objetivo de conscientizar sobre a preservação das tartarugas marinhas de forma divertida e acessível para todas as idades.
Durante entrevista ao PodCafé, da Folha do Litoral News, na quarta-feira, 3, Fernanda contou que o projeto teve origem em seu Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), apresentado em 2017, quando cursava Ciências Biológicas na Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR), em Curitiba.
Natural de Paranaguá, a bióloga sempre teve forte ligação com o litoral e com a conservação ambiental. Após a graduação, atuou no então Instituto Ambiental do Paraná (IAP), atual Instituto Água e Terra (IAT), realizando atividades de licenciamento ambiental e resgate de fauna silvestre em todos os municípios do litoral paranaense.
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Ao longo da carreira, também acumulou experiências em projetos ligados às tartarugas marinhas, incluindo estágios voluntários no Projeto Tamar, em diferentes regiões do país, e um mestrado voltado ao estudo da saúde das tartarugas-verdes no Centro de Estudos do Mar (CEM), da Universidade Federal do Paraná (UFPR).
Foi justamente dessa paixão pelos animais marinhos que nasceu a proposta do jogo.
“Eu queria criar uma ferramenta de educação ambiental que fosse divertida. A ideia sempre foi fazer um jogo que as pessoas quisessem jogar por ser interessante, e que a conscientização viesse naturalmente durante a experiência”, explicou.
Uma aventura baseada na vida real das tartarugas
Voltado para jogadores a partir dos 10 anos de idade, o “Vida de Tartaruga” pode ser disputado por dois a cinco participantes. Cada jogador assume o controle de uma das cinco espécies de tartarugas marinhas encontradas no litoral brasileiro: verde, cabeçuda, oliva, de pente e de couro.


“O objetivo é conduzir as tartarugas ao longo de seu ciclo de vida, atravessando o oceano e retornando à praia para reprodução. No caminho, os participantes enfrentam desafios inspirados em ameaças reais que afetam esses animais na natureza. Entre os obstáculos estão a predação por aves, tubarões e orcas, além de problemas causados pela ação humana, como ingestão de plástico, pesca, poluição, dragagem, maré vermelha e outras interferências ambientais”, disse Fernanda.
Ao mesmo tempo, cartas especiais apresentam iniciativas positivas para a conservação das espécies, como monitoramento científico, limpeza de praias e ações de proteção ambiental.
Segundo Fernanda, o diferencial do jogo está justamente na forma como a educação ambiental é trabalhada. “A pessoa joga para se divertir. Mas, ao longo da partida, ela percebe quantos desafios as tartarugas enfrentam para sobreviver. Isso gera uma reflexão espontânea e muito mais efetiva”, contou.
Estatística impressionante inspira mecânica do jogo
Uma das curiosidades do “Vida de Tartaruga” é que sua dinâmica reproduz uma realidade enfrentada pelas espécies na natureza. Fernanda revelou que, em média, de cada mil filhotes de tartarugas marinhas que nascem, apenas um ou dois conseguem chegar à fase adulta.




Essa informação foi incorporada ao jogo. Os participantes começam a partida com várias tartarugas sob sua responsabilidade, mas, ao longo da jornada, poucas conseguem sobreviver até o final. “É uma forma de mostrar, na prática, como é difícil a sobrevivência desses animais no ambiente natural”, explicou.
Projeto alcança meta e inicia produção
Após anos de desenvolvimento e aperfeiçoamento, o jogo foi oficialmente lançado em 2026 por meio de uma campanha de financiamento coletivo. A iniciativa alcançou a meta necessária para viabilizar a produção das primeiras unidades, com mais de 100 jogos vendidos na pré-venda. A expectativa é que as entregas ocorram entre agosto e setembro deste ano.
Além da comercialização para o público em geral, a autora pretende ampliar o alcance do projeto junto a escolas, instituições de ensino, empresas e órgãos públicos. “Gostaria muito de ver o Vida de Tartaruga presente nas escolas do litoral. É uma ferramenta que pode contribuir com o ensino de ciências, biologia e educação ambiental de uma forma muito leve e divertida”, afirmou a criadora do jogo de tabuleiro.
Educação ambiental começa com pequenas atitudes
Durante o PodCafé, Fernanda também aproveitou para reforçar a importância da conscientização ambiental no dia a dia. Para ela, atitudes simples, como separar corretamente o lixo reciclável, reduzir o consumo de descartáveis e adotar hábitos mais sustentáveis, fazem diferença na preservação dos ecossistemas.
“Ninguém consegue salvar o planeta sozinho, mas cada pessoa pode fazer a sua parte. Quando muitas pessoas adotam pequenas mudanças, o impacto positivo se torna enorme”, ressaltou.
Mais informações sobre o jogo podem ser encontradas nas redes sociais do projeto pelo perfil @vidadetartaruga, onde também estão disponíveis os links para aquisição das unidades e contato para parcerias com escolas e instituições.
Entrevista na íntegra
A entrevista na íntegra pode ser conferida acessando o YouTube da Folha do Litoral News:

