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Espanha socialista: basílica vira alvo na guerra contra a fé

Imagine um governo decidindo quais partes de uma igreja são sagradas. O altar, sim. A nave, não. As capelas, a cúpula, o átrio, o vestíbulo e as grandes portas de bronze — também não. Os fiéis podem rezar aqui, mas não ali, e somente depois de passar por uma exposição estatal com uma mensagem política e ideológica antes de entrar. Pode parecer invenção, mas isso está acontecendo agora mesmo na Espanha.

O alvo é a Basílica da Santa Cruz, no Vale de Cuelgamuros. Não há nada igual no mundo cristão. Ela se estende por cerca de 260 metros no granito da Serra de Guadarrama, sendo mais longa que a Basílica de São Pedro, em Roma. Acima dela ergue-se a cruz mais alta do mundo, um monumento de pedra com 152 metros de altura.

Consagrada em 1960 e confiada, desde 1958, a uma abadia beneditina que responde diretamente ao papa, ela contém, sob seu piso, os restos mortais de mais de 33.000 pessoas de ambos os lados da Guerra Civil Espanhola, incluindo aproximadamente 140 homens e mulheres que a Igreja elevou aos seus altares como santos, beatos e servos de Deus.

É um templo vivo e um imenso cemitério, sagrado de ponta a ponta. Embora tenha sido construído durante o regime de Francisco Franco, o espaço foi confiado inteiramente à Igreja Católica. No entanto, o governo socialista espanhol está agora usando a história do local como pretexto para minar a liberdade religiosa.