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A inteligência artificial não é quem você procura

No final de O Exterminador do Futuro 2, a máquina mergulha em um cadinho de aço fundido, faz o gesto de positivo que aprendeu com uma criança e desaparece. É uma das imagens mais estranhas já produzidas pelo cinema americano: uma máquina de matar que aprendeu a amar e escolheu a própria destruição para que o futuro pudesse viver.

James Cameron não se sentou para escrever uma peça sobre a Paixão de Cristo, mas acabou escrevendo uma assim mesmo. E nós, na escuridão da sala de cinema, não achamos isso minimamente perturbador. Claro que a máquina podia aprender o que eram lágrimas, ainda que ela própria não pudesse chorar por não possuir glândulas lacrimais. Claro que ela podia dar a própria vida. Até eu, que tinha apenas três anos quando vi o filme pela primeira vez, esperava que aquilo acontecesse.

Mas o que exatamente esperávamos — e por quê?

É um fato curioso sobre a franquia O Exterminador do Futuro — e, na verdade, sobre nós mesmos — que o assassino implacável do primeiro filme tenha se tornado, no segundo, a própria imagem do amor altruísta, sem que ninguém na plateia sequer estranhasse. O primeiro Exterminador é o pesadelo que merecemos: nossa criação, a joia da coroa da nossa engenhosidade, retorna para nos destruir. É uma criatura totalmente desprovida de piedade, pois, em nossa arrogância, esquecemos de lhe conceder qualquer traço de compaixão.