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Pornografia e prostituição invadem o mercado do futebol

Em abril de 2023, o técnico Cuca durou apenas duas partidas no Corinthians; ele pediu demissão após forte pressão da torcida, especialmente sua ala feminina, devido ao fato de ter contra si uma condenação por violência sexual na Suíça, em 1989 – ele sempre negou o crime, e em janeiro de 2024 a condenação foi anulada por irregularidades processuais, sem análise de mérito. Três anos depois, o clube paulista se vê novamente diante de um episódio que testa seu compromisso com a dignidade da mulher, mas a repercussão tem sido muito menor que a esperada e necessária.

A prostituição e a pornografia estão seguindo o caminho aberto pelas bets e invadindo o mundo do futebol. Em 4 de julho, o Corinthians anunciou um contrato de patrocínio no valor de R$ 22 milhões com um site de conteúdo erótico, em que os usuários pagam para receber fotos, vídeos ou interagir com as mulheres presentes na plataforma – o mesmo site também está patrocinando o Operário (PR) e o Vila Nova (GO). O site pertence a um conglomerado que também opera uma agência de prostituição (eufemisticamente chamada de “anúncios de acompanhantes”), que coloca ou já colocou seu nome nos uniformes de outros times, como Vitória (BA), Amazonas (AM), Brusque (SC), Paysandu (PA), Remo (PA) e Ponte Preta (SP).

A prostituição e a pornografia reduzem a pessoa da mulher, com toda a sua riqueza, ao seu corpo, usado como instrumento de prazer por outra pessoa

Tanto o Corinthians quanto o novo patrocinador afirmam que o nome do site não será estampado nos uniformes da equipe de futebol feminino – os calções terão a frase “respeita as minas”, slogan de um movimento de torcedoras e jogadoras, e que foi muito usado nos protestos após a contratação de Cuca. Uma ressalva hipócrita; afinal, se não houvesse nenhum problema com o tipo de atividade praticada pela empresa patrocinadora, a marca poderia muito bem estar no uniforme das atletas. No fim, admite-se implicitamente que a última coisa que o patrocinador faz é respeitar as mulheres.