Mais uma sobre futebol

Ando surpresa comigo mesma. Há tanto assunto para a coluna, e eu continuo insistindo em falar sobre futebol, tema sobre o qual já admiti que não gosto nem entendo. Mas sei lá por que passei a assistir a alguns jogos desta Copa do Mundo nos quais a seleção brasileira nem estava em campo. Pasme, eu jamais havia feito isso antes!

Concentrei-me justamente na seleção da Argentina. Talvez você tenha revirado os olhos agora ou, quem sabe, torcido o nariz… Afinal, sempre existiu certa implicância entre Brasil e Argentina, e vice-versa. Mas, se me der uma chance e continuar a leitura, é possível que até venha a concordar com a minha linha de raciocínio.

Você reparou que a equipe argentina não aceita a hipótese da derrota?

No dia 7 de julho, na partida contra o Egito, a seleção sul-americana sofreu o primeiro gol aos 14 minutos do primeiro tempo. Pouco depois, levou mais um. Foi o suficiente para o Egito ganhar confiança e acreditar que havia mandado nossos hermanitos embora. 

Mas autoconfiança em excesso é veneno, e jogo é jogo. Enquanto a bola estiver rolando, tudo é possível, inclusive o que parece improvável. A Argentina se recusa a fechar o zíper da mala rumo ao retorno para casa e, com o fôlego que ainda lhe resta, parte para cima do adversário. Aos 34 minutos do segundo tempo, marca o primeiro gol e, aos 38, chega ao empate. Em apenas 4 minutos, sai de 0 a 2 para 2 a 2. 

Nesse momento, os espectadores de pouca fé já dão a prorrogação como certa. Nem o tempo de acréscimo, acreditam eles, será capaz de mudar o placar. 

Definitivamente, não é o caso da Argentina, que decidiu a partida com um terceiro gol justamente nos acréscimos. 

No último sábado, dia 11 de julho, enfrentou a Suíça e se encontrava visivelmente cansada, mas, ainda assim, sem deixar de lutar pelo título até o último minuto. Dessa vez, desempatou o jogo, que estava em 1 a 1, na prorrogação e, depois, marcou mais um gol para aliviar a tensão, despachar a Suíça e fechar o confronto em 3 a 1. 

Escrevo esta crônica no domingo, dia 12, mas ela só será publicada em 15 de julho, data em que a seleção sul-americana enfrentará a Inglaterra.

Independentemente do resultado, nosso país vizinho já deixou registradas algumas lições. Talvez a principal delas seja a força psicológica e a forma como a saúde mental da equipe contribuiu para enfrentar, até aqui, tantos momentos de adversidade. Também chama a atenção a capacidade do grupo de não se conformar com um resultado desfavorável, controlando o ego das individualidades e fortalecendo o espírito de luta em busca da virada. 

Admirar essa postura não significa mudar de lado. Sempre torci pelo Brasil. Isso, porém, não me impede de reconhecer os preciosos ensinamentos que essa equipe tem proporcionado. Eles são facilmente assimilados quando baixamos a guarda, deixamos de lado rixas infantis e focamos no que realmente importa. Se o nosso time fosse tão bom, ainda estaria na disputa e, com certeza, esta crônica não seria sobre a Argentina.

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