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Honda CB400 Super Four renasce com motor de quatro cilindros e sistema E-Clutch.

Nova geração mantém a identidade clássica da naked japonesa, mas avança em desempenho, eletrônica e conectividade; estreia no Japão está marcada para agosto de 2026.

A Honda oficializou no Japão o lançamento da nova CB400 Super Four E-Clutch, modelo que recupera um dos nomes mais tradicionais da fabricante em sua categoria de média cilindrada. Equipada com motor inédito de quatro cilindros em linha, 399 cm³ e 58 cv, a naked chegará às concessionárias Honda Dream japonesas em 21 de agosto de 2026, com preço sugerido de 998.800 ienes.

Apresentada inicialmente como conceito durante o Osaka Motorcycle Show, em março, a motocicleta agora entra definitivamente em produção. A proposta combina as proporções e os elementos visuais que marcaram a trajetória da CB400 Super Four desde sua primeira geração, lançada em 1992, com uma plataforma completamente renovada e recursos eletrônicos normalmente encontrados em modelos de maior cilindrada.

Quatro cilindros e 58 cv em uma plataforma inédita

O principal destaque técnico está no novo motor refrigerado a líquido, com duplo comando de válvulas no cabeçote, quatro válvulas por cilindro e configuração de quatro cilindros em linha. A unidade entrega potência máxima de 58 cv a 11.500 rpm e torque de 3,9 kgf.m a 9.750 rpm.

Os números revelam um propulsor desenvolvido para trabalhar em rotações elevadas, preservando uma das características mais valorizadas nas motocicletas japonesas de quatro cilindros: a entrega progressiva de potência, acompanhada pelo som particular desse tipo de arquitetura.

A Honda também adotou acelerador eletrônico, conhecido como throttle-by-wire. Em vez de uma ligação mecânica direta entre a manopla e as borboletas de admissão, sensores interpretam o comando do piloto e enviam a informação para a central eletrônica. O recurso permite controlar com maior precisão a resposta do motor e integrar diferentes modos de pilotagem.

O sistema de admissão utiliza configuração do tipo descendente, com a caixa do filtro de ar posicionada sob o tanque. Dutos e coletores foram dimensionados para favorecer a força em baixas e médias rotações, além de reforçar o som de admissão durante as acelerações.

No escapamento, os quatro tubos que saem do motor convergem para dois e, posteriormente, para uma única saída. O desenho 4-2-1 apresenta curvas aparentes inspiradas na histórica CB400 Four de 1974, criando uma conexão visual entre diferentes gerações da família CB.

E-Clutch automatiza a embreagem, mas preserva o câmbio manual

A nova CB400 Super Four traz de série o Honda E-Clutch, sistema eletrônico que controla automaticamente a embreagem durante as arrancadas, trocas de marcha e paradas. O motociclista continua selecionando as seis marchas pelo pedal, mas não precisa acionar a alavanca da embreagem em condições normais.

Diferentemente de uma transmissão automática ou de dupla embreagem, o E-Clutch mantém a arquitetura convencional do câmbio manual. A tecnologia atua por meio de pequenos motores elétricos instalados junto ao conjunto da embreagem, administrando o acoplamento conforme a rotação, a velocidade e a posição do acelerador.

O piloto também pode utilizar a alavanca a qualquer momento. Ao acioná-la, o sistema eletrônico deixa temporariamente de interferir, devolvendo o controle manual da embreagem. Dessa forma, a solução procura reduzir o esforço no trânsito sem eliminar a participação do motociclista nas trocas de marcha.

Na CB400, o E-Clutch trabalha de forma integrada ao acelerador eletrônico. Durante reduções, a central ajusta automaticamente a rotação do motor para diminuir os trancos e suavizar a transição entre as marchas. Em frenagens mais fortes ou quando a roda traseira perde contato momentâneo com o asfalto, o sistema também pode modular a embreagem para contribuir com a estabilidade da motocicleta.

Quatro modos de pilotagem

A eletrônica permite selecionar os modos Standard, Sport, Urban e User. Cada configuração modifica parâmetros como entrega de potência, atuação do freio-motor e nível do controle de tração.

No modo Sport, a resposta do acelerador tende a ser mais direta, favorecendo uma condução dinâmica em estradas sinuosas. O Urban busca maior suavidade para o uso cotidiano, enquanto o Standard oferece um equilíbrio entre desempenho e controle. Já o User permite ao piloto escolher e armazenar uma combinação personalizada dos ajustes disponíveis.

Esse pacote amplia a versatilidade da CB400 Super Four, que foi projetada para circular tanto no trânsito urbano quanto em viagens e trajetos com curvas, sem assumir uma posição excessivamente esportiva.

Chassi renovado e posição de pilotagem natural

A motocicleta utiliza um novo quadro do tipo diamante, construído em tubos de aço. A distribuição dos componentes foi definida para concentrar as massas próximas ao centro do conjunto, solução que busca melhorar a agilidade nas mudanças de direção e facilitar o controle em baixa velocidade.

Na dianteira, a suspensão emprega garfo invertido do tipo cartucho. Na traseira, o sistema Pro-Link conecta o amortecedor à balança por meio de articulações, permitindo uma atuação progressiva conforme a suspensão é comprimida.

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A frenagem dianteira é realizada por dois discos, enquanto a roda traseira utiliza disco simples. As rodas de 17 polegadas recebem pneus nas medidas 120/70 na frente e 160/60 atrás.

A CB400 Super Four apresenta 187 quilos em ordem de marcha, distância entre-eixos de 1.405 milímetros e altura do assento de 780 milímetros. A parte dianteira do banco foi estreitada para facilitar o alcance dos pés ao solo, aspecto relevante no uso urbano e nas manobras de estacionamento.

O tanque comporta 15 litros de combustível. Segundo o ciclo internacional WMTC, o consumo declarado é de 23,1 km/l, resultado que pode variar de acordo com o trânsito, o estilo de pilotagem e as condições de utilização.

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Visual clássico com tecnologia atual

Embora inteiramente renovada, a CB400 Super Four conserva a configuração típica das nakeds japonesas: farol circular, motor exposto, tanque de formato destacado e rabeta curta. O conjunto evita uma releitura puramente retrô ao incorporar superfícies mais angulosas e componentes modernos.

O painel utiliza tela TFT colorida de cinco polegadas. Por meio do sistema Honda RoadSync e da conexão com um smartphone, o motociclista pode acessar navegação, chamadas e reprodução de músicas, utilizando comandos instalados no guidão e um intercomunicador compatível. Uma entrada USB tipo C também integra o equipamento de série.

A nova CB400 será oferecida no Japão nas cores prata metálico, preto fosco, branco e vermelho. A configuração prata utiliza grafismos inspirados na CB750F que competiu no mercado norte-americano durante a década de 1980.

A previsão da Honda é comercializar 4.600 unidades por ano no mercado japonês. O lançamento divulgado pela fabricante está restrito ao Japão, sem confirmação oficial sobre exportação ou eventual comercialização no Brasil.

Tradição reposicionada para uma nova geração

A volta da CB400 Super Four representa mais do que a recuperação de uma denominação conhecida. O modelo combina um motor compacto de quatro cilindros — configuração cada vez menos comum entre motocicletas médias — com soluções eletrônicas destinadas a tornar a pilotagem mais acessível e versátil.

Ao preservar o câmbio manual e automatizar apenas a embreagem, a Honda procura encontrar um ponto de equilíbrio entre envolvimento mecânico e facilidade de uso. A estratégia poderá ser decisiva para aproximar novos motociclistas de motores multicilíndricos, sem afastar o público que valoriza a experiência tradicional de condução.

Mesmo sem confirmação para outros mercados, a nova CB400 Super Four mostra que ainda existe espaço para motocicletas de média cilindrada com personalidade mecânica própria. Caso ultrapasse as fronteiras japonesas, terá potencial para disputar um segmento hoje concentrado principalmente em motores de dois cilindros.

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