Editorial: Mobilidade urbana deve ser prioridade

A temporada de verão em Florianópolis chegou, mais uma vez, acompanhada de filas intermináveis e motoristas exaustos e alguns imprudentes.

Desde o feriado de Natal até esta primeira semana de janeiro, a palavra que define o deslocamento às praias ou mesmo para o trabalho e outras atividades cotidianas é paciência. Só com paciência mesmo, porque faltou, mais uma vez, planejamento e ação do Poder Público.

A SC-401, principal via de acesso ao Norte das Ilha e a rodovia estadual mais movimentada de Santa Catarina, está saturada e é incapaz de atender à crescente demanda. Apesar da atuação da PMRv (Polícia Militar Rodoviária), o trânsito segue caótico, evidenciando a necessidade de uma gestão integrada e mais abrangente.

Uma parceria entre o Estado e a prefeitura, com a atuação da Guarda Municipal, poderia melhorar a organização do fluxo nas estradas que cortam a Ilha, principalmente durante a alta temporada.

Mesmo com as obras realizadas, como a implementação da terceira faixa de acesso a Jurerê, o impacto foi mínimo. Esse cenário é um reflexo da falta de planejamento em longo prazo e da ausência de um sistema de mobilidade urbana integrado, que contemple tanto melhorias na infraestrutura viária quanto o incentivo ao transporte público e sustentável.

Outro agravante é a falta de educação no trânsito de muitos motoristas, que desrespeitam regras básicas e dificultam ainda mais a fluidez. Essa combinação de infraestrutura defasada e comportamentos inadequados compromete não só a experiência dos turistas, mas também a qualidade de vida dos moradores.

Florianópolis, um dos destinos mais procurados do país, precisa urgentemente de soluções estruturais para que o trânsito deixe de ser o cartão de visita negativo da cidade.

Ampliação das vias existentes, investimentos em transporte coletivo eficiente e a adoção de tecnologias de monitoramento e controle são medidas que devem ser colocadas em prática. É hora de tratar a mobilidade urbana como prioridade.

O turismo, que é um dos pilares da economia local, depende de uma cidade funcional, que permita deslocamentos rápidos e seguros. Sem ações concretas, coordenadas e integradas, o trânsito caótico continuará a ser o principal desafio de quem tenta aproveitar as belezas naturais da Ilha.

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