• Home
  • 2026
  • maio
  • Indústria vai ao TCU e amplia pressão contra leilão de reserva de capacidade

Indústria vai ao TCU e amplia pressão contra leilão de reserva de capacidade

Entidades representativas da indústria intensificaram a ofensiva contra o leilão de reserva de capacidade (LRCAP) e apresentaram pedidos formais ao Tribunal de Contas da União (TCU) para ingressar como partes interessadas no processo que acompanha a modelagem e a execução do certame.

A Confederação Nacional da Indústria (CNI), a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e a Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) protocolaram manifestações nos últimos dias defendendo participação direta na fiscalização conduzida pela Unidade de Auditoria Especializada em Energia Elétrica e Nuclear (AudElétrica).   

Conheça o JOTA PRO Poder, plataforma de monitoramento que oferece transparência e previsibilidade para empresas

Em comum, as três entidades sustentam que o resultado do LRCAP terá efeitos diretos sobre tarifas de energia, custos industriais e competitividade da economia brasileira pelos próximos anos. Os documentos também convergem ao apontar preocupações com a elevação dos preços-teto às vésperas do leilão, baixo nível de competição, contratação considerada excessiva de potência e riscos de impactos bilionários para consumidores.  

A movimentação marca uma nova etapa da pressão institucional em torno do LRCAP. Até agora, os questionamentos no Tribunal vinham sendo conduzidos principalmente pela área técnica e pelo Ministério Público junto ao tribunal. Simultaneamente, há questionamentos judiciais e do Congresso sobre o mecanismo concorrencial. Com a entrada das federações industriais, o debate passa a ganhar também uma dimensão mais explícita de impacto econômico sobre o setor produtivo.

No pedido apresentado ao relator do processo, ministro Jorge Oliveira, a Fiemg afirma que o processo em análise no TCU envolve não apenas aspectos formais do leilão, mas também a própria modelagem da política pública adotada para contratação de potência.

A federação sustenta que os leilões teriam sido realizados sob “premissas técnicas questionáveis”, com “forte dependência de parâmetros probabilísticos sensíveis e potencialmente

superestimados”, o que poderia ter levado à contratação de volume de capacidade “significativamente superior ao efetivamente necessário”.

Além disso, a Fiemg destaca que já vinha desenvolvendo estudos sobre transição energética antes mesmo da realização do certame. No pedido ao TCU, a entidade informa ter produzido, em 2024, um estudo técnico defendendo maior utilização de fontes renováveis em substituição à expansão termelétrica. 

Já a CNI afirma que o leilão “produzirá efeitos diretos sobre a estrutura tarifária do setor elétrico brasileiro, os custos de produção da indústria nacional e a própria competitividade da economia brasileira pelos próximos quinze anos”. A entidade cita estimativas segundo as quais os custos globais das contratações podem superar R$ 500 bilhões ao longo da vigência dos contratos. 

A confederação também afirma haver “indícios consistentes de fragilidades metodológicas” no certame, mencionando mudanças promovidas às vésperas das sessões públicas, majoração “substancial” dos preços-teto e “baixa competitividade observada nas sessões públicas”. 

Outro ponto enfatizado pela CNI é a contratação de termelétricas fósseis por prazos de até 15 anos em um mecanismo originalmente apresentado como emergencial. A entidade defende que o TCU avalie alternativas tecnológicas potencialmente menos onerosas e mais alinhadas à transição energética, como sistemas de armazenamento em baterias (BESS), hidrelétricas com reservatório e mecanismos de resposta da demanda. 

A Fiesp adotou linha semelhante e argumentou que o tema possui “impactos fiscais e tarifários de elevada magnitude”, com potencial de afetar de forma duradoura a estrutura tarifária do setor elétrico. A federação paulista também destacou a concentração dos resultados em poucos grupos econômicos, citando nominalmente Eneva, Petrobras e Âmbar Energia como exemplos que levantaram dúvidas sobre o nível de concorrência do certame. 

Diretor decide não pautar homologação na próxima semana 

Em paralelo à movimentação no TCU, o diretor da Aneel Fernando Mosna informou aos demais integrantes da diretoria colegiada que não pretende incluir, neste momento, o processo de homologação e adjudicação do LRCAP na pauta da reunião prevista para a próxima terça-feira (19/5).

Em memorando interno enviado à diretoria nesta semana, Mosna argumenta que há “incerteza jurídica” sobre o tema em razão da ação civil pública movida pela associação Abraenergias contra a Aneel, União, ONS e EPE. Como o JOTA mostrou, a associação pediu a suspensão dos efeitos do leilão e a anulação do certame. O juiz negou inicialmente o pedido de liminar, mas aguarda manifestação dos órgãos para decidir sobre a ação.

Na prática, a mudança da data de assinatura dos contratos pode dar mais tempo ao Tribunal para investigar detalhes do certame. Em abril, o TCU negou o pedido de suspensão do leilão, mas determinou a apuração acerca de eventuais “geradoras de papel” e manteve a análise sobre a modelagem e preços-tetos até a homologação dos contratos – prevista inicialmente para o dia 21 de maio.

O diretor da Aneel destaca que o Ministério Público Federal se manifestou favoravelmente ao acolhimento parcial do pedido liminar para suspender os atos de homologação, adjudicação e assinatura dos contratos do LRCAP até a conclusão da instrução judicial. Além disso, a iminência de nova manifestação da Justiça Federal sobre o caso foi levada em consideração. Segundo o memorando, o prazo concedido à Aneel para manifestação estava “em vias de exaurimento”, o que poderia levar a nova decisão judicial “a qualquer momento”. 

Assine gratuitamente a newsletter Últimas Notícias do JOTA e receba as principais notícias jurídicas e políticas do dia no seu email

Apesar da decisão de não pautar o tema na próxima reunião ordinária, Mosna afirmou que o assunto poderá ser levado posteriormente à diretoria colegiada, inclusive por meio de reunião extraordinária, caso haja necessidade de readequação do cronograma do leilão. 

Clique aqui para acessar a Fonte da Notícia

VEJA MAIS

Receita Atende

Receita Atende Fonte da Notícia

Voltaremos com mais notícias após o feriado de 12 de Outubro

Os dias extras de descanso estão movimentando os planos de viagem dos brasileiros. Para o…

Meta proíbe anúncios do TikTok em sete países

Meta diz que não é obrigada a vender publicidade a uma rival (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)…