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PM de SP que matou mulher com tiro no peito é efetivada

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – A policial Yasmin Cursino Ferreira, 21, foi nomeada como soldado da Polícia Militar de São Paulo duas semanas depois de atirar e matar a ajudante-geral Thawanna da Silva Salmázio, 31, na zona leste da capital paulista. Depois de um período de “estágio probatório”, a nomeação foi publicada no Diário Oficial desta sexta-feira (17).

Segundo a Secretaria da Segurança Pública, Ferreira e seu colega Weden Soares, 26, estão afastados das ruas. O caso, ocorrido no dia 3 de abril, está sendo investigado pela Corregedoria da Polícia Militar e pelo departamento de homicídios da Polícia Civil (DHPP).

A soldado Ferreira havia concluído o Curso de Formação de Soldados da PM paulista em 10 de dezembro do ano passado e desde então trabalhava no patrulhamento rotineiro no bairro da zona leste paulistana. Segundo o Diário Oficial, ela atuará em um batalhão na mesma região.

Em nota, a Secretaria da Segurança Pública afirmou que a publicação reflete apenas o cumprimento da lei Lei nº 18.442, aprovada em 2 de abril de 2026. A nova legislação extinguiu a antiga divisão entre soldados de 1ª e 2ª classe, unificando a graduação sob a nomenclatura única de soldado PM.

Mãe de cinco filhos, Thawanna foi morta na frente do noivo, o ajudante de pedreiro Luciano Gonçalves dos Santos, 36. Eles andavam por uma rua de Cidade Tiradentes quando uma viatura da Polícia Militar esbarrou no braço dele, dando início à discussão com policiais que terminou com a morte de Thawanna.

A soldado da PM justifica que atirou porque a vítima teria lhe dado um tapa no rosto. O suposto tapa não justificaria o tiro, uma vez que o manual que embasa o treinamento da PM orienta usar a arma apenas quando há risco à vida de alguém. Testemunhas e imagens de uma câmera corporal do colega da soldado contradizem a versão da policial.

Em entrevista à Folha, o companheiro de Thawanna rebateu a versão da agente. Ele contou que o motorista da viatura deu ré e começou a ofendê-lo sem que o casal tivesse provocado a dupla de policiais. Thawanna reagiu quando o soldado Weden Soares disse “a rua é lugar de ficar, caralho?”, segundo Luciano.

Em resposta, a ajudante-geral disse o seguinte: “Com todo respeito, foram vocês que bateram em nós”. É o que mostra a gravação de uma câmera de segurança da rua e da câmera corporal divulgada pela TV Globo, assim como o relato do ajudante de pedreiro e da advogada da família da vítima, que viu as imagens.

A soldado Ferreira desembarcou da viatura e gritou com ela, chamando-a de vagabunda, segundo apontam relatos de moradores e a gravação da câmera de segurança. É possível ouvir Thawanna dizendo “não aponta o dedo para mim, não”. A ajudante-geral então é atingida por um tiro no peito.

Ferida, a vítima ficou mais de 45 minutos caída no asfalto até a chegada de uma ambulância, segundo moradores. Ela não resistiu e morreu.

Leia Também: MPF denuncia 13 sob acusação de lavagem de R$ 262 milhões ligados a rifas e apostas

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