Israel atacou crianças de Gaza, o que resultou …

Por Olivia Le Poidevin

GENEBRA, 23 Jun (Reuters) – As autoridades e forças ​de segurança israelenses atacaram deliberadamente crianças palestinas, o que resultou em genocídio, crimes contra a humanidade e crimes de guerra em Gaza, além de crimes de guerra na Cisjordânia ocupada, afirmou nesta terça-feira uma comissão de inquérito independente da ONU.

O relatório da Comissão Internacional Independente de Inquérito da ONU sobre o Território Palestino Ocupado, incluindo Jerusalém Oriental, e Israel examinou as violações contra crianças palestinas desde o início da guerra entre Israel e o Hamas, em 7 de outubro de 2023.

Cerca de 30% das vítimas fatais na guerra de Gaza eram crianças, segundo o relatório.

Um relatório anterior da comissão, divulgado em setembro, concluiu que Israel havia cometido genocídio em Gaza e que altas autoridades israelenses, incluindo o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, incitaram esses atos — acusações que Israel considerou escandalosas.

A missão de Israel ⁠em Genebra afirmou ⁠que o país rejeitou o que chamou de “segundo relatório ​difamatório e ‌tendencioso” da Comissão.

“Israel rejeita essa farsa caluniosa”, afirmou em comunicado, acrescentando que “toda criança merece proteção” e alegando que o relatório ignorou “as táticas brutais do Hamas”.

A comissão da ONU afirmou que crianças palestinas foram deliberadamente alvejadas e mortas durante a guerra, inclusive após a entrada em vigor do cessar-fogo em outubro de 2025. Segundo a comissão, esse foi um elemento-chave ⁠para comprovar a intenção genocida das autoridades e forças de segurança israelenses de destruir o grupo ​palestino, no todo ou em parte, em Gaza.

“As evidências mostram que crianças palestinas foram deliberadamente alvejadas e mortas pelas ​forças de segurança israelenses”, disse Srinivasan Muralidhar, presidente da comissão, em um comunicado ‌que acompanha o relatório.

O relatório ​constatou que ⁠a proporção de crianças mortas foi maior do que em conflitos anteriores. Entre 7 de outubro de 2023 e 7 de outubro de 2025, pelo menos 20.179 crianças foram mortas, cerca de 30% do total de vítimas fatais.

Em comparação, nas hostilidades em Gaza entre 2008 ​e 2009 e em 2014, as crianças representaram aproximadamente 24% das mortes relacionadas ao conflito, segundo o relatório.

As forças israelenses continuaram a usar munições de alta carga explosiva e armas com efeitos em áreas extensas em zonas residenciais densamente povoadas, apesar do número crescente de vítimas infantis, afirmou a comissão.

“Isso indica que tais ataques, que mataram crianças em números tão elevados, foram intencionais”, afirmou. ​A comissão declarou acreditar que as crianças foram alvo de ataques coletivos porque as forças de segurança israelenses consideravam a população civil como um todo associada ao Hamas e a outros grupos armados.

Uma refutação divulgada pela missão de Israel em Genebra afirmou que Israel “se empenha constantemente em minimizar os danos às crianças, mesmo em situações de conflito” e que Israel rejeitou “nos termos mais veementes” a sugestão de que teria como alvo deliberadamente crianças.

Muralidhar afirmou que, ao ter as crianças como alvo, Israel estava minando a capacidade do povo palestino de existir e de determinar seu futuro.

As condições impostas por Israel em Gaza, incluindo ataques generalizados, deslocamentos repetidos ​e fome causada pelo bloqueio de ajuda humanitária, alimentos e medicamentos, prejudicaram gravemente a saúde e o desenvolvimento das crianças, resultando em mortes ‌evitáveis e traumas, segundo o relatório.

A investigação também constatou ⁠que os ataques a instalações de saúde e de saúde reprodutiva afetaram a sobrevivência de recém-nascidos e apontou aumentos no número de abortos espontâneos, além de indicar que quase todas as crianças em Gaza precisariam de apoio psicológico.

A contestação de Israel ⁠afirmou que o relatório não mencionou o papel de Israel na facilitação da ⁠vacinação e da entrada de equipes médicas, bem como na instalação ⁠de hospitais de campanha. ⁠Acusou ​o Hamas de desviar sistematicamente a ajuda humanitária e o combustível destinados aos hospitais. O Hamas rejeitou tais acusações.

(Reportagem de Olivia Le Poidevin)

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