• Home
  • 2026
  • junho
  • Marco Civil da Internet: Toffoli começa a votar nos embargos e traz mudanças na tese

Marco Civil da Internet: Toffoli começa a votar nos embargos e traz mudanças na tese

O Supremo Tribunal Federal (STF) começou a julgar nesta quarta-feira (10/6) os recursos que questionam a tese do Marco Civil da Internet que ampliou o regime de responsabilidade das plataformas sobre o conteúdo postado por seus usuários. 

O relator, ministro Dias Toffoli, ainda não concluiu o voto, mas trouxe inovações quanto à responsabilidade das big techs. Leia aqui os ajustes propostos pelo ministro. 

Assine gratuitamente a newsletter Últimas Notícias do JOTA e receba as principais notícias jurídicas e políticas do dia no seu email

O julgamento continua na sessão de quinta-feira (11/6) e, durante a continuação, o magistrado deve propor prazo de 60 dias para as empresas se adaptarem – os embargos pediam seis meses. Assim, a data bate com o estipulado nos decretos do governo federal que atualizaram o Marco Civil da Internet. 

Na continuação, Toffoli também deve firmar a restrição de que a tese passe a valer para ações que foram apresentadas à Justiça a partir da publicação da ata de julgamento.

A análise dos recursos se dá em um contexto de tensão entre o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e o governo. Alcolumbre deu andamento para os PDLs da oposição que sustam decreto de Lula que regulamenta o novo regime de responsabilidade. Essa regulamentação foi feita baseada na tese votada pelo Supremo e que é objeto de recurso. 

Voto

Na parte em que já se manifestou, de uma forma geral, Toffoli mantém a responsabilidade subjetiva das plataformas quanto aos posts de terceiros. Apenas no caso dos marketplaces é que a responsabilidade objetiva do Código de Defesa do Consumidor se mantém nos casos previstos na lei de proteção. 

Entretanto, o relator avança mais na inconstitucionalidade do artigo 19 do que o previsto na tese aprovada pelo colegiado, na medida em que mitiga ainda mais a aplicação do artigo 19, ao propor mais regras de interpretação e novos conceitos de provedor neutro ou ativo.

Toffoli defende a responsabilidade dos provedores neutros, portanto, aqueles que têm baixa ou pouca interferência no fluxo comunicacional ficam submetidos à necessidade de decisão judicial. Isso valeria, por exemplo, para a Wikipédia, que não impulsiona conteúdos. 

Por esse raciocínio, o relator propõe que a interferência no conteúdo passe a ser o critério estruturante da responsabilidade – quanto maior a ingerência sobre a circulação de conteúdo de terceiros, maior a justificativa para afastar o regime do artigo 19.

O ministro altera a presunção de responsabilidade dos provedores em caso de conteúdos ilícitos quando se tratar de anúncios e impulsionamentos pagos ou distribuídos de forma artificial. Aqui, a presunção passa a ser relativa e ele substitui os termos chatbot ou robô por “mecanismos artificiais de disseminação inorgânica de conteúdos ilícitos destinados à manipulação do debate público”.

Toffoli também rejeitou o pedido do Facebook para incluir na tese a expressão “manifestamente” para análise de conteúdo ilícito ou criminoso. A empresa alegava que isso faria uma distinção entre casos evidentes e mais complexos. Na avaliação do magistrado, o pedido afeta o entendimento do Supremo pela responsabilização. 

Conheça o JOTA PRO Poder, plataforma de monitoramento que oferece transparência e previsibilidade para empresas

Em junho do ano passado, por 8 votos a 3, o STF declarou a inconstitucionalidade parcial do artigo 19 do Marco Civil da Internet e reformulou a responsabilidade das plataformas. Entidades e empresas entraram com 12 recursos, 9 sob a relatoria de Toffoli. 

O relator aceitou apenas os recursos do Google e do Facebook e os demais classificou como manifestação, mas atacou pontos trazidos nestes documentos. 

O caso é julgado nos Recursos Extraordinários (REs) 1037396 (Tema 987 da repercussão geral) e 1057258 (Tema 533), mas Toffoli está votando no RE 1037396, do qual é relator.

Clique aqui para acessar a Fonte da Notícia

VEJA MAIS

União estável não formalizada: como provar a relação e entrar no inven

Muitos casais vivem juntos por anos sem jamais formalizar a união em cartório. Com o…

Hidratação de idosos exige atenção redobrada nos dias de calor, alerta geriatra do Iamspe

Especialista do Iamspe alerta para os sintomas da desidratação entre pessoas idosas e orienta sobre…