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O benfeitor estatal não existe: é o governo que taxa os pobres

Poucas figuras são tão populares na política brasileira quanto o benfeitor estatal. O Estado distribui auxílios, anuncia programas, cria subsídios e se apresenta como o escudo dos vulneráveis. Há discursos calibrados, solenidades e uma narrativa cuidadosamente construída para transmitir preocupação social. O problema é que a economia real não frequenta palcos. Ela faz contas, e as contas do Brasil não fecham.

O atual governo construiu sua identidade política sobre a ideia de proteção aos mais vulneráveis. Amplia gastos públicos e apresenta cada nova despesa como prova de compromisso com os necessitados. Sob essa lógica ilógica, qualquer cobrança por responsabilidade fiscal ou equilíbrio orçamentário é tratada como insensibilidade diante da pobreza. Mas a realidade é um detalhe inconveniente, pois a miséria não é derrotada por discursos sobre a miséria.

Política social de verdade não consiste em administrar a pobreza para torná-la dependente do Estado. Consiste em criar as condições para que as pessoas deixem de ser pobres. Nenhuma nação prosperou distribuindo déficits. Nenhuma sociedade enriqueceu acreditando que a aritmética cederia à ideologia

A pobreza se combate com geração de riqueza. A riqueza não nasce por decreto ou voluntarismo político. Ela surge de investimento, produtividade, segurança jurídica e estabilidade da moeda. Nenhum país enriqueceu pegando atalhos intelectuais. A primeira regra de uma economia saudável é simples. As contas precisam fechar.

Quando o Estado gasta de forma permanente mais do que arrecada, ele não cria bem-estar, gera desconfiança. Os juros sobem para financiar o rombo, o crédito fica mais caro, os investimentos recuam e o crescimento perde força. Para sustentar esse arranjo, a arrecadação precisa crescer. Tributa-se o consumo, a produção e o investimento com um apetite que parece não reconhecer limites. A promessa oficial é sempre a mesma: a de que a conta será paga pelos mais ricos, pelos bancos ou pelas grandes empresas. Não será. É um erro elementar de economia.

Impostos sobre a produção e o consumo são custos. E os custos acabam encontrando seu caminho até os preços finais. Eles reaparecem no arroz, no feijão, na carne, no gás de cozinha, na conta de luz e no transporte. Reaparecem exatamente onde a população de baixa renda trava sua luta diária para preservar o próprio padrão de vida.

Aí reside a grande contradição do modelo. O discurso político diz que o Estado sustenta os pobres, mas a estrutura tributária mostra algo muito diferente. Em larga medida, são os pobres que sustentam o Estado. Cada compra no supermercado, cada conta de energia, cada passagem de ônibus e cada botijão de gás carregam tributos embutidos.

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Antes mesmo de receber qualquer benefício social, milhões de brasileiros já contribuíram para financiá-lo. O mesmo poder público que distribui renda de um lado reduz o poder de compra do outro. A primeira operação aparece na propaganda oficial, e a segunda aparece no caixa do supermercado.

Existe, portanto, um imposto ainda mais perverso do que aqueles que estão na legislação. É o imposto invisível da inflação e dos juros altos, subprodutos diretos da irresponsabilidade fiscal. Ele corrói o valor do dinheiro e pune, com precisão matemática, justamente quem não possui patrimônio ou instrumentos financeiros para se proteger.

Política social de verdade não consiste em administrar a pobreza para torná-la dependente do Estado. Consiste em criar as condições para que as pessoas deixem de ser pobres. Nenhuma nação prosperou distribuindo déficits. Nenhuma sociedade enriqueceu acreditando que a aritmética cederia à ideologia. A matemática não vota, não milita e não se rende ao marketing político. Mas sempre apresenta a conta. Pois, no Brasil, ela continua cobrando justamente daqueles que o governo afirma proteger.

Alex Pipkin, PhD em Administração, é consultor empresarial e articulista do Instituto Liberal.

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