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A dura tarefa de reverter o novo “tarifaço” norte-americano

Na segunda-feira, o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) iniciou audiência pública para debater a possível aplicação de duas tarifas diferentes aos produtos brasileiros importados pelos norte-americanos. Uma delas, de 25% e aplicada apenas ao Brasil, seria motivada por questões ambientais, falta de combate à pirataria e à corrupção, tarifas preferenciais a outros países como México e Índia, e a fúria censora do Supremo Tribunal Federal; a outra, de 12,5%, não atinge apenas o Brasil, mas dezenas de outros países que não estariam combatendo devidamente o trabalho escravo. Políticos, diplomatas e representantes do setor produtivo brasileiro estão participando dos debates, na tentativa de convencer Donald Trump a desistir desse novo tarifaço.

Trump sabe – ou deveria saber – o quanto o primeiro tarifaço, imposto no ano passado e derrubado pela Suprema Corte em fevereiro de 2026, custou a ele em termos de popularidade, já que o consumidor norte-americano passou a pagar mais por produtos importados de outros países, ou que dependiam de insumos estrangeiros. A inflação resultante prejudicou as perspectivas para o Partido Republicano nas eleições de meio de mandato, as midterms, previstas para novembro – hoje, os republicanos controlam as duas casas do Congresso; se perderem a maioria em uma delas, os dois anos restantes de mandato se tornarão mais difíceis para Trump. Não à toa o tarifaço original foi criticado inclusive por renomados pensadores conservadores, como o economista Thomas Sowell.

Reverter o novo tarifaço não é tarefa simples: Trump está disposto a reafirmar seu poder de taxar, enquanto Lula reage com infantilidade às medidas do norte-americano