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Brasil negou visto para enviados de Trump que queriam fazer relatório sobre urnas eletrônicas; entenda o motivo

Enviados de Trump foram barrados pelo Brasil após governo identificar possível tentativa de questionar urnas eletrônicas Foto: Reprodução/Doug Mills/The New York Times/ND Mais

O governo brasileiro negou o visto a dois oficiais do governo de Donald Trump que pretendiam viajar ao Brasil para avaliar o sistema eleitoral e produzir um relatório com questionamentos sobre a segurança das urnas eletrônicas.

A decisão ocorreu após autoridades brasileiras identificarem uma tentativa do governo do presidente americano, de levantar dúvidas sobre a integridade das eleições brasileiras.

A informação foi divulgada pelo jornal norte-americano The Washington Post e confirmada pelo Estadão. Segundo autoridades brasileiras ouvidas pela reportagem, a missão dos representantes dos EUA poderia resultar em um documento usado para deslegitimar o sistema de votação eletrônico adotado pelo Brasil.

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O pedido de visto chegou ao conhecimento do governo brasileiro em 20 de julho, quando o Departamento de Estado dos Estados Unidos solicitou autorização ao Consulado do Brasil em Washington para a viagem dos representantes.

Quem eram os enviados de Trump?

Os escolhidos seriam Riley Barnes, secretário-assistente, e Samuel Samson, secretário-assistente adjunto do Departamento de Estado. Formalmente, o governo norte-americano informou que a visita dos enviados teria como tema “liberdade de expressão relacionada às eleições”.

Enviados de Trump, Riley Barnes e Samuel Samson tiveram vistos negados pelo BrasilFoto: Reprodução/Departamento dos EUA/ND MaisEnviados de Trump, Riley Barnes e Samuel Samson tiveram vistos negados pelo BrasilFoto: Reprodução/Departamento dos EUA/ND Mais

No entanto, de acordo com o Estadão, autoridades brasileiras interpretaram a iniciativa como uma tentativa de interferência no processo eleitoral, especialmente após a reunião do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, com embaixadores.

No encontro, realizado um dia após o Brasil tomar conhecimento da missão americana, Flávio repetiu questionamentos sobre as urnas eletrônicas que já foram rejeitados pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral). As suspeitas também foram usadas pelo ex-presidente Jair Bolsonaro e fizeram parte do processo que levou à condenação dele.

O TSE informou que sua área internacional foi procurada pela Embaixada dos Estados Unidos para tratar de uma possível visita de integrantes do governo norte-americano, mas afirmou que não recebeu informações sobre o tema da agenda. A reunião não foi marcada devido ao recesso do Judiciário.

Itamaraty confirmou a recusa dos vistosFoto: Leonardo Sá/Agência Senado/ND MaisItamaraty confirmou a recusa dos vistosFoto: Leonardo Sá/Agência Senado/ND Mais

Itamaraty rejeitou entrada de oficiais

O Itamaraty confirmou que os vistos de Barnes e Samson foram negados na sexta-feira (24). O Departamento de Estado dos EUA confirmou a intenção de enviar os dois representantes ao Brasil, mas não informou oficialmente qual seria o objetivo da viagem.

A decisão ocorre em meio ao aumento das tensões diplomáticas entre Brasil e Estados Unidos, após o tarifaço anunciado por Trump contra produtos brasileiros e as ameaças de retaliação comercial pelo governo brasileiro.

Presidente afirma que eleições pertencem aos brasileiros

Neste sábado (25), integrantes do governo Lula reagiram ao episódio. O ministro da Secretaria de Relações Institucionais, José Guimarães, afirmou que nenhum país deve interferir no processo eleitoral brasileiro.

Lula reage a críticas sobre urnas eletrônicas e diz que ninguém de fora deve interferir nas eleições brasileirasFoto: Marcelo Camargo/Agência Brasil/Reprodução/ND MaisLula reage a críticas sobre urnas eletrônicas e diz que ninguém de fora deve interferir nas eleições brasileirasFoto: Marcelo Camargo/Agência Brasil/Reprodução/ND Mais

Durante evento do PT em São Paulo, o presidente Lula também criticou tentativas externas de influência nas eleições. Sem citar diretamente os Estados Unidos, declarou: “Quem quiser de fora vir se meter nas eleições brasileiras, já vou avisando logo: vão apanhar muito aqui nas eleições”.

Lula afirmou ainda que o resultado do pleito será definido pelos 157 milhões de eleitores brasileiros e reforçou: “Esse país é nosso e ninguém aqui mete o bedelho”.

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