Em novo episódio de Futuro Talks, Norberto Prestes fala sobre soberania, inovação e produção nacional de medicamentos
A pandemia de Covid-19 expôs uma fragilidade que até então passava despercebida para boa parte da população: a elevada dependência brasileira de insumos importados para produzir medicamentos. Hoje, dos cerca de 2 mil insumos farmacêuticos ativos (IFAs) registrados na Anvisa, apenas entre 120 e 150 são produzidos no país. Desde então, a discussão sobre soberania farmacêutica ganhou espaço na agenda sobre política industrial de saúde e segurança sanitária. Esse é um dos temas tratados no novo episódio de Futuro Talks, que recebeu Norberto Prestes, presidente-executivo da Abiquifi.
Na entrevista, o presidente-executivo da Abiquifi afirmou que o Brasil consolidou uma indústria farmacêutica forte, especialmente na produção de medicamentos genéricos, mas continua dependente do exterior para fabricar grande parte dos insumos que dão origem a esses produtos. Para ele, recuperar parte dessa capacidade não significa produzir tudo no país, mas definir prioridades e construir, ao longo do tempo, uma base produtiva capaz de atender às necessidades do SUS e reduzir a vulnerabilidade do Brasil em momentos de crise.
O executivo também defendeu que esse avanço depende de uma política de Estado de longo prazo, apoiada em investimentos, incentivos à inovação e maior integração entre universidades, centros de pesquisa, indústria e governo. Na avaliação de Prestes, um dos principais desafios é transformar a produção científica em inovação, uma vez que existe uma distância entre academia e setor produtivo.
Entre as iniciativas em andamento, a Abiquifi participa de um projeto para identificar os insumos farmacêuticos considerados estratégicos para o país e apoiar a elaboração de um plano nacional para fortalecer essa cadeia produtiva. Segundo Prestes, a iniciativa pode ajudar o Brasil a reduzir a dependência externa e ampliar sua capacidade de desenvolver tecnologias farmacêuticas.
Confira o episódio completo: