O turismo na América Latina continua crescendo em número de chegadas, gastos e relevância econômica, mas esse avanço não se traduz necessariamente em margens melhores para o setor. Quando os custos com pessoal, energia e manutenção crescem no mesmo ritmo das receitas, a rentabilidade permanece estagnada ou se deteriora silenciosamente.
Na indústria da hospitalidade, fala-se cada vez mais em operações inteligentes. De acordo com a IGI Global, o conceito descreve a passagem de um hotel organizado em áreas separadas para uma operação interconectada, capaz de responder em tempo real ao que acontece dentro do empreendimento.
“Assim, o controle dos quartos, a automação energética, a manutenção preditiva e o atendimento ao hóspede deixam de ser funções isoladas e passam a integrar um mesmo ambiente, no qual os sistemas se comunicam. A operação inteligente não é a soma de várias tecnologias, mas o resultado de uma solução integrada. Infelizmente, essa ideia ainda esbarra na realidade de boa parte da hotelaria”, afirma Renato Matsuda, diretor regional para a América Latina e o Caribe da ASSA ABLOY Global Solutions.
Uma revisão acadêmica recente, publicada pelos pesquisadores Uicab Ramírez, T.J., Ek Rodríguez, S.Y., Makita Balcorta, T.G. e Fernández Xicotencatl, R.I., da Universidade Autônoma do Estado de Quintana Roo, confirma esse padrão. O estudo identificou que, embora a digitalização tenha avançado de forma consistente no setor, a interoperabilidade entre sistemas continua sendo uma das lacunas estruturais mais persistentes. Segundo os especialistas, a tecnologia só gera benefícios sustentáveis quando sua implementação vem acompanhada de processos redesenhados e de uma orientação estratégica clara.
Esse é o cenário enfrentado hoje por diretores e gerentes de hotéis na região. A questão central já não é se é preciso investir em tecnologia, mas que tipo de investimento realmente protege a margem operacional e, ao mesmo tempo, melhora a experiência do hóspede. É nesse ponto que muitos empreendimentos cometem o mesmo erro: continuam acrescentando sistemas sem integrá-los.
O resultado pode ser uma operação formada por ilhas de informação e melhorias pontuais difíceis de sustentar ao longo do tempo. Um sistema gerencia o acesso aos quartos, outro administra o consumo de energia e um terceiro monitora os dados — cada um com sua própria lógica, sem comunicação com os demais. Até soluções criadas para simplificar a estadia do hóspede podem ficar desconectadas da operação se não fizerem parte de um ecossistema integrado.

O acesso faz a diferença
“A chave móvel é um exemplo claro dessa mudança: quando o acesso digital ao quarto é integrado aos sistemas do empreendimento, deixa de ser apenas uma alternativa à chave física e se torna um ponto de conexão entre a operação e a experiência do hóspede”, acrescenta Matsuda. “O resultado é uma experiência mais fluida para quem se hospeda e uma operação com menos atritos para quem a gerencia.”
“A segurança, nesse contexto, já não pode ser entendida como um aspecto isolado. Quando o controle de acesso, as redes de conectividade e os sistemas de gestão funcionam de forma desconectada, cada um se torna um ponto independente de vulnerabilidade. Uma credencial de acesso sem atualização centralizada, uma rede sem segmentação adequada ou um sistema de emergência que não se comunica com o restante da operação não são falhas menores: tornam-se brechas por onde passam riscos físicos e digitais.”
Em uma arquitetura integrada, novas formas de acesso, como a chave móvel, podem ser gerenciadas em um ambiente centralizado. Isso permite maior controle sobre quem acessa os espaços, quando e em quais condições, enquanto o hóspede tem uma experiência mais simples e menos dependente de processos físicos.
A eficiência segue a mesma lógica. O estudo O uso das TIC na gestão hoteleira: revisão sistemática e mapeamento científico mostra que, há duas décadas, a adoção de tecnologia em hotéis está associada a melhorias de eficiência e desempenho. Os resultados, porém, variam conforme o contexto e, sobretudo, o grau de integração alcançado. A diferença entre um hotel que opera com eficiência e outro que apenas acredita operar assim está justamente na capacidade de seus sistemas compartilharem informações em tempo real, em vez de cada área trabalhar com dados parciais e desatualizados.
“Nesse sentido, digitalizar o acesso representa muito mais do que substituir um cartão por um telefone. Quando a chave móvel faz parte de uma operação conectada, ela pode reduzir etapas, simplificar a chegada e o acesso ao quarto e permitir que o hóspede interaja com o empreendimento de uma forma mais natural e digital”, analisa Matsuda.
“Tudo isso converge, no fim, para uma variável: a rentabilidade. O crescimento do turismo na América Latina é uma oportunidade real, mas também coloca a operação sob pressão. Mais hóspedes significam mais transações de acesso, maior consumo de energia, mais demanda sobre as equipes e maior exposição a riscos”, diz o executivo.
Um hotel com sistemas fragmentados absorve esse crescimento com mais atritos, custos ocultos e vulnerabilidades. Já um empreendimento que opera com uma plataforma integrada pode lidar com o mesmo aumento da demanda por meio de dados centralizados, decisões mais rápidas e processos mais simples para o hóspede. A diferença também aparece nos momentos que definem a estadia: chegar, entrar no quarto, circular pelo empreendimento ou resolver uma necessidade sem depender desnecessariamente de processos manuais. Nessas situações, a tecnologia deixa de ser invisível e passa a fazer parte da experiência.
Essa é a lógica por trás da The Vingcard Solution, da Vingcard | ASSA ABLOY. A proposta é conectar controle de acesso, redes e conectividade, gestão de energia, equipamentos, experiência digital do hóspede e operações do empreendimento para que compartilhem informações de forma contínua e centralizada.
Nesse ecossistema, a chave móvel representa uma evolução natural do acesso: uma ferramenta capaz de tornar mais ágeis a chegada e a estadia do hóspede, integrada a uma arquitetura tecnológica que dá à operação mais controle e visibilidade. Quando isso acontece, a eficiência depende menos da coordenação manual entre áreas, a segurança tem menos pontos cegos entre sistemas e a experiência do hóspede se torna uma jornada digital mais fluida, em vez de uma sequência de interações isoladas.
A pergunta que diretores e gestores de negócios de hospitalidade na América Latina devem fazer hoje é quanto de sua tecnologia realmente se comunica e, sobretudo, quanto dessa integração chega até o hóspede. A resposta determina se o crescimento do setor se traduz em uma operação capaz de proteger a margem e oferecer uma experiência mais simples, conectada e memorável — ou apenas em mais complexidade para administrar.
(*) Crédito das fotos: Divulgação/Vingcard | ASSA ABLOY
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