Candidato afirmou que seu único adversário é Lula e que participará do debate para “desmascarar” o petista; ele também criticou decisão de Dino sobre Nossa Senhora Aparecida e chamou Lula de “pai do Tigrinho”
O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) disse neste domingo (27) que vai ao debate da TV Globo na próxima quinta-feira mesmo se o presidente Lula (PT) não comparecer. A declaração foi feita durante discurso em Goiás.
“Não tenho adversário aqui em Goiás. Meu único adversário nessa campanha é o Lula. E é com ele que eu quero debater na Globo. Eu vou para esse debate só para desmascarar esse mentiroso, esse assassino da esperança do Brasil”, afirmou o candidato.
Até agora, os dois principais candidatos à Presidência, Lula e Flávio, não participaram dos debates. Flávio afirmou que Goiás pode ser um estado decisivo para ele vencer a eleição em primeiro turno, no dia 4 de outubro.
Críticas a Flávio Dino na polêmica da padroeira
No discurso, Flávio criticou a decisão do ministro Flávio Dino, do STF, que neste domingo liberou a publicação de um post do ator e humorista Antonio Tabet sobre a polêmica envolvendo Nossa Senhora Aparecida. A decisão derrubou uma determinação anterior de André Mendonça, da última sexta-feira (25), que havia mandado remover a publicação.
Flávio disse que a decisão de Dino atropelou o TSE e a classificou como “fora da lei”. Segundo ele, o ministro autorizou “que a ‘liga da mentira’ do PT” continuasse a disseminar “a maior fake news dessa campanha”, em referência à polêmica da Nossa Senhora Aparecida.
“Como se alguém quisesse tirá-la, tirar dela o título de padroeira do Brasil. Não existe nem projeto sobre isso. Essa é a maior mentira dessa eleição”, declarou.
O candidato chamou Dino de “ministro da injustiça” de Lula e disse que ele “capitaneou a perseguição” aos condenados pelo 8 de janeiro de 2023, a quem Flávio chama de “patriotas”.
Vagas do STF na campanha eleitoral
Flávio Bolsonaro voltou a associar o ministro do STF Alexandre de Moraes a Lula.
“A única forma de a gente mudar esse Supremo é votando em Flávio Bolsonaro para presidente da República. Porque, se esse atual presidente colocasse mais quatro Alexandre de Moraes, mais quatro Flávio Dino, nas vagas que têm o próximo presidente da República para indicar ao STF, o Brasil ia virar a Venezuela”, afirmou.
Ele também fez críticas ao STF. Disse que o tribunal apresentou um “show de horrores”, afirmou que a corte acabou com a segurança jurídica do país e que “os ministros do Lula protegem Alexandre de Moraes de responder pelos seus crimes”, em referência à sessão do STF em 15 de setembro, quando os ministros começaram a discutir sobre abertura de investigação contra Moraes por suas relações com o banqueiro Daniel Vorcaro.
Bets e Tigrinho
Flávio chamou Lula de “pai do Tigrinho”. O petista anunciou na sexta-feira a proibição total das bets no Brasil, movimento visto como uma tentativa de ganhar força na reta final da eleição.
“Nós votamos contra o Tigrinho lá no Congresso. Eu votei junto com a bancada do PL contra o cassino online. E a bancada do PT toda votou a favor. Resultado, um monte de gente está endividada. E aí quando eu falei que o Lula era o pai do Tigrinho, ele ficou ofendido”, disse.
A liberação das bets foi feita no governo Michel Temer (2016-2018), mas sem regulamentação. O pai de Flávio, o ex-presidente Jair Bolsonaro, não avançou no tema durante sua gestão (2019-2022). Ou seja, as empresas estavam atuando no Brasil sem seguir regras pré-estabelecidas e sem pagar impostos.
Em 2023, o governo Lula definiu que a regulamentação do setor era uma de suas prioridades. O projeto apresentado pelo governo enfrentou dificuldades no Congresso, uma vez que o lobby da chamada bancada das bets — parlamentares que têm relação com essas empresas — é forte entre deputados e senadores. Os congressistas conseguiram, por exemplo, fazer com que essas empresas pagassem imposto menor do que havia sido proposto pelo governo.