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Fundo eleitoral: os 10 candidatos de SP que mais receberam recursos públicos

Partidos têm cerca de R$ 4,9 bilhões do Fundo Eleitoral para distribuir entre as candidaturasFoto: Reprodução/ND Mais

Pelo menos dez candidatos de São Paulo já receberam milhões de reais em recursos públicos para financiar as campanhas das eleições de 2026. Entre os maiores beneficiários estão nomes que disputam o governo do Estado, o Senado e a Câmara dos Deputados. Os valores têm origem principalmente no FEFC (Fundo Especial de Financiamento de Campanha), o chamado Fundo Eleitoral, mas também podem incluir recursos do Fundo Partidário.

O DivulgaCandContas, plataforma do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), reúne as informações declaradas pelas campanhas e permite consultar as transferências feitas pelos partidos. Os dados são atualizados ao longo da eleição e ainda podem sofrer alterações até a prestação de contas final.

Quem recebeu mais recursos do Fundo Eleitoral em SP

Entre os valores já declarados, Fernando Haddad (PT), candidato ao governo de São Paulo, aparece entre os maiores beneficiários. Até 19 de setembro, a campanha havia recebido R$ 19 milhões provenientes do Fundo Eleitoral. O valor corresponde a praticamente toda a arrecadação declarada até o momento.

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O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), que disputa a reeleição, também está entre os candidatos paulistas com maior volume de recursos públicos. No levantamento do TSE, a campanha aparecia com R$ 19,6 milhões em repasses, sendo R$ 10,2 milhões do Fundo Eleitoral, o que corresponde a 52% do total.

Tarcísio de Freitas e Fernando HaddadFoto: Rodrigo Batista/Governo do Estado SP e Diogo Zacarias/Divulgação/ND MaisTarcísio de Freitas e Fernando HaddadFoto: Rodrigo Batista/Governo do Estado SP e Diogo Zacarias/Divulgação/ND Mais

Na disputa pelo Senado, Simone Tebet (PSB) havia recebido R$ 6,7 milhões, sendo R$ 6,5 milhões do Fundo Eleitoral (98% do total).

André do Prado (PL), que deixou a disputa por uma vaga na Assembleia Legislativa para concorrer ao Senado, tinha recebido R$ 6 milhões do Fundo Eleitoral, valor que corresponde a 99% da arrecadação declarada até o momento.

Geraldo Rufino (Podemos) também aparece com R$ 6 milhões, sendo que 99% desse valor vem do Fundo Eleitoral.

Soninha Francine (Cidadania), candidata ao Senado por São Paulo, está entre os nomes que receberam milhões em recursos públicos. A campanha recebeu R$ 4,7 milhões, e R$ 4 milhões são do Fundo Eleitoral.

Guilherme Derrite (PP), também candidato ao Senado, registrava R$ 7,3 milhões em recursos recebidos. Desse montante, R$ 2,3 milhões vieram do Fundo Eleitoral (31,8% do total).

A campanha de Marina Silva (Rede) recebeu R$ 2,8 milhões, sendo R$ 2,1 milhões do Fundo Eleitoral (75% do total).

Na disputa por uma vaga de deputada federal, a candidata à reeleição Rosana Valle (PL) aparece entre os principais nomes financiados com recursos públicos. A campanha havia recebido R$ 3,3 milhões, sendo R$ 3,1 milhões do Fundo Eleitoral (98% do total).

Já a campanha de Baleia Rossi (MDB) recebeu R$ 3 milhões, sendo R$ 2,8 milhões do Fundo Eleitoral (94% do valor total).

Quanto do dinheiro vem do Fundo Eleitoral?

Os dados mostram que, entre os principais beneficiários, o Fundo Eleitoral é a principal fonte de recursos públicos. No caso de Haddad, por exemplo, praticamente todo o valor declarado veio do FEFC. Para Tebet, André do Prado e Geraldo Rufino, a participação também é superior a 98% do total recebido.

Fundo Eleitoral é a principal fonte de recursos públicos para diversos candidatosFoto: depositphotos.com / rmcarvalhobsbFundo Eleitoral é a principal fonte de recursos públicos para diversos candidatosFoto: depositphotos.com / rmcarvalhobsb

Derrite é um caso diferente: embora tenha recebido R$ 7,3 milhões, R$ 1,5 milhão veio de doação para a campanha e R$ 3,5 milhões vieram do Fundo Partidário, enquanto R$ 2,35 milhões foram registrados como FEFC.

O TSE diferencia o Fundo Eleitoral do Fundo Partidário. O primeiro é constituído especificamente para financiar campanhas em anos eleitorais, já o segundo é uma verba permanente destinada aos partidos, que também pode ser utilizada em campanhas dentro das regras eleitorais.

A distância entre os valores também chama atenção. Considerando os nomes com valores individualmente confirmados, Haddad recebeu R$ 8,8 milhões a mais que Tarcísio. Em relação a Simone Tebet, a diferença supera R$ 12,5 milhões.

Entre os candidatos ao Senado, Derrite aparece com cerca de R$ 838 mil a mais que André do Prado e aproximadamente R$ 212 mil acima de Tebet. Os valores, entretanto, refletem o momento da prestação de contas e podem mudar com novos repasses partidários.

Como funciona a distribuição dos recursos

De acordo com o TSE, os 7,7 mil candidatos a deputado federal arrecadaram R$ 2,76 bilhões de verba pública transferida por meio dos partidos, mas a distribuição não é uniforme. Há candidaturas que receberam valores muito baixos ou ainda não declararam recursos.

No levantamento nacional, por exemplo, a candidata Shanisys (PL-PR) havia recebido apenas R$ 1.430. Em São Paulo, também havia dezenas de candidaturas com valores muito inferiores aos repasses feitos aos principais nomes.

Para as eleições de 2026, as regras eleitorais determinam que pelo menos 30% dos recursos do Fundo Eleitoral sejam destinados às candidaturas de mulheres. Para pessoas negras, o percentual mínimo também é de 30%, conforme as regras definidas pelo TSE.

Os recursos destinados às candidaturas de mulheres e pessoas negras têm vinculação específica: o dinheiro reservado a esses grupos não pode ser transferido para candidaturas que não se enquadrem nos critérios. A regra busca assegurar que a verba pública destinada às cotas seja efetivamente aplicada nas candidaturas contempladas.

Outro recorte importante é o de candidatos que já ocupam mandato. Rosana Valle, por exemplo, disputa novamente uma cadeira na Câmara depois de ter sido eleita em 2022. Tarcísio também busca a continuidade no cargo de governador, enquanto outros parlamentares que tentam permanecer no Congresso aparecem entre os beneficiários de grandes transferências partidárias.

Os dados que o TSE disponibiliza também mostram concentração de recursos em candidatos que já possuem mandato ou são conhecidos nacionalmente. A distribuição é uma decisão interna de cada partido, que define como repassar os recursos disponíveis para suas candidaturas dentro das regras estabelecidas pela Justiça Eleitoral.

Em 2026, os partidos têm cerca de R$ 4,9 bilhões do Fundo Especial de Financiamento de Campanha para distribuir entre as candidaturas. O PL recebeu aproximadamente R$ 881 milhões; o PT, R$ 615 milhões; e o União Brasil, R$ 526 milhões.

A consulta oficial pode ser acompanhada no DivulgaCandContas, que reúne os dados de arrecadação e gastos e permite comparar candidatos, partidos, cargos, gênero e raça.

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