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‘Máfia da pintura’ roubou mais de R$ 10 milhões da Toyota com serviços não-realizados

Uma concessionária Toyota nos Estados Unidos treinou um funcionário de uma oficina terceirizada para operar o sistema interno de reembolso da montadora. Três anos depois, essa mesma oficina responde na Justiça por ter usado o acesso para cobrar mais de US$ 2,1 milhões (R$ 10,7 milhões) em reparos de pintura que, na maior parte dos casos, nunca foram necessários.

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O processo foi aberto contra a Autobody Squad, de Malden (Massachusetts), seu ex-proprietário, Fabio Gomes, e dois ex-funcionários da Toyota de Watertown, na região metropolitana de Boston: Rodney Dukes, então diretor de operações fixas, e Paul Nguyen, ex-consultor de serviços. Segundo a ação, os dois recebiam pagamentos por fora e presentes para manter as solicitações fraudulentas em tramitação.

Fotos, código de aprovação e o número de outro técnico

O alvo era o Customer Support Program ZKG, criado pela Toyota em 2019 para custear o conserto de pintura descascada provocada por primer defeituoso. O programa reembolsa concessionárias e oficinas credenciadas.

A rotina descrita no processo é simples e, por isso mesmo, difícil de flagrar. A Autobody Squad fotografava os veículos e os lançava no sistema usando as credenciais da concessionária. Com isso, obtinha o código de aprovação do programa e o repassava a Nguyen, que abria as ordens de reparo e enviava a cobrança à Toyota.

As ordens de serviço traziam o número de identificação de um técnico da concessionária, que, segundo a ação, não realizava inspeção alguma. Em 2022, um funcionário da oficina ganhou acesso e treinamento no portal do ZKG sem que a diretoria da loja soubesse.

Cobranças dobraram após a exclusividade

No início, os pedidos eram poucos e variavam de US$ 3.000 a US$ 6.000 (R$ 15.300 a R$ 30.600). Em 2021, quando a Autobody Squad se tornou parceira exclusiva da concessionária, as cobranças subiram para a faixa de US$ 7.000 a US$ 10.000 (R$ 35.700 a R$ 51.000), e o volume de solicitações cresceu junto.

Uma auditoria feita entre março de 2025 e fevereiro de 2026 mostrou a distorção: a loja de Watertown registrava média de 30 pedidos de pintura por mês, enquanto outras concessionárias da marca ficavam em dez ou menos. Dos carros vistoriados, 178 — até 80% do total — não apresentavam qualquer sinal de descascamento; os 20% restantes tinham o problema em alguns painéis. Ao todo, 223 solicitações não preenchiam os critérios do programa, mas foram aprovadas.

A concessionária chegou a questionar Gomes sobre o salto no número de casos, mas, conforme o processo, aceitou a explicação e creditou o resultado à eficiência da oficina. Mesmo depois da auditoria, a empresa teria continuado a captar e processar pedidos.

Dukes e Nguyen foram demitidos. Dukes responde por quebra de dever fiduciário; Nguyen e a Autobody Squad, por cumplicidade nessa quebra. Os quatro réus são acusados de conspiração civil. O caso foi revelado pela publicação Automotive News.

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