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Pane aérea no Reino Unido vira troca de acusações entre Ryanair e controle de tráfego

Ryanair cobra respostas após pane no Reino Unido e O’Leary acusa Nats de esconder a causa (IA/M&E)

A pane que atingiu o sistema de controle de tráfego aéreo do Reino Unido nesta semana ganhou um novo capítulo nesta quinta-feira (10), depois que Michael O’Leary, diretor-presidente da Ryanair, acusou Martin Rolfe, chefe da operadora britânica Nats Holdings, de mentir sobre a causa da falha. Segundo O’Leary, a companhia aérea foi informada de que o problema havia sido provocado por um plano de voo irregular, mas Rolfe apresentou posteriormente uma explicação diferente em entrevista à BBC.

O episódio amplia a pressão sobre a Nats, responsável pela prestação dos serviços de controle de tráfego aéreo no Reino Unido, justamente em um momento em que o governo britânico determinou uma investigação sobre a falha que provocou atrasos e cancelamentos em alguns dos principais aeroportos do país.

A declaração mais contundente partiu de O’Leary ao contestar publicamente a versão apresentada pelo executivo da Nats. O presidente da Ryanair afirmou que a empresa recebeu diretamente da operadora a informação de que a pane estava relacionada a um plano de voo irregular, problema que também esteve no centro de uma interrupção de grandes proporções registrada em 2023.

“A Nats nos disse que foi outro plano de voo irregular. Agora, Martin Rolfe veio a público ontem para negar isso”, afirmou O’Leary. “Acredito que ele esteja mentindo para salvar a própria pele.”

Ryanair diz ter recebido outra explicação da Nats

A divergência entre as duas empresas está justamente na identificação da origem da falha. De um lado, O’Leary afirma que a Ryanair foi informada de que um plano de voo irregular teria provocado o problema. Do outro, Rolfe declarou em entrevista à BBC que acreditava que o incidente mais recente havia sido causado por “algo diferente” das falhas registradas anteriormente.

A diferença entre as versões colocou a causa técnica do episódio no centro da disputa.

Para a Ryanair, a explicação é especialmente relevante porque a companhia já mantém uma relação conflituosa com a Nats. O’Leary tem criticado publicamente a operadora e pedido em diferentes ocasiões a saída de Rolfe do comando da empresa.

A nova pane também ocorre enquanto a Ryanair move uma ação judicial contra a Nats no Tribunal Superior de Londres relacionada ao incidente de 2023.

A companhia aérea cobra mais de 7 milhões de libras, aproximadamente US$ 9,5 milhões, em indenização pelos prejuízos provocados naquela interrupção. A Ryanair também defende que a Nats utilize seus lucros para reforçar a operação e contratar mais funcionários.

O precedente de 2023

O episódio atual ganhou peso porque existe uma ligação direta com o problema ocorrido três anos atrás. Uma investigação conduzida pela própria Nats concluiu que a pane de 2023 foi causada por uma combinação extremamente incomum de informações em um plano de voo.

Na ocasião, um plano apresentava dois pontos de referência diferentes com nomes idênticos. A situação fez com que tanto o sistema principal quanto o sistema de reserva entrassem em modo de segurança.

A Nats classificou o evento como algo com probabilidade de ocorrência de aproximadamente uma em 15 milhões.

O incidente provocou uma interrupção significativa no tráfego aéreo britânico e afetou milhares de passageiros. Desde então, a capacidade do sistema de controle de tráfego aéreo passou a ser alvo de cobranças de companhias aéreas e autoridades.

A referência ao episódio de 2023 ajuda a explicar a reação de O’Leary diante da nova pane. Para o executivo, o fato de a Ryanair ter recebido uma informação sobre um plano de voo irregular e, posteriormente, ouvir do chefe da Nats que a causa seria diferente exige esclarecimentos.

Governo britânico exige investigação sobre nova falha

A crise também chegou ao governo britânico. A ministra dos Transportes, Heidi Alexander, convocou Martin Rolfe para uma reunião sobre o incidente e determinou que a Nats investigasse a origem da falha.

Rolfe recebeu uma semana para apresentar os resultados da apuração sobre o problema mais recente.

A ministra afirmou ainda que acredita que a pane poderia ter sido evitada. Paralelamente, ela solicitou à Autoridade de Aviação Civil do Reino Unido uma análise independente do episódio.

A decisão cria duas frentes de investigação. A primeira ficará sob responsabilidade da própria Nats, enquanto a segunda terá participação da autoridade reguladora da aviação civil.

A análise independente deverá ser importante para esclarecer não apenas o que provocou a falha, mas também se havia mecanismos capazes de impedir que o problema chegasse ao ponto de afetar a operação dos aeroportos.

Milhares de voos afetados

A falha ocorreu no início desta semana e provocou uma onda de atrasos e cancelamentos nos principais aeroportos britânicos. Como o sistema de controle de tráfego aéreo é fundamental para determinar a quantidade e o fluxo de aeronaves que podem operar em determinado espaço aéreo, uma interrupção pode rapidamente produzir efeitos em cadeia.

Mesmo quando o problema está concentrado no sistema de controle, os impactos se espalham para companhias aéreas, aeroportos e passageiros. Aeronaves deixam de cumprir os horários previstos, tripulações precisam ser reorganizadas e passageiros podem ter seus voos cancelados ou remarcados.

É justamente esse efeito em cadeia que tornou a causa da pane uma questão central para as companhias aéreas.

Para a Ryanair, descobrir se houve novamente um problema relacionado a um plano de voo também tem implicações sobre a segurança e a confiabilidade do sistema utilizado para organizar o tráfego aéreo.

Nats contesta versão apresentada por O’Leary

A Nats já havia respondido a uma declaração semelhante feita por O’Leary na quarta-feira. Na ocasião, a operadora afirmou que a pane mais recente havia sido causada por um problema diferente daquele registrado em 2023.

A empresa, porém, não respondeu imediatamente a um pedido de comentário sobre as novas declarações feitas pelo presidente da Ryanair nesta quinta-feira.

A ausência de uma nova manifestação deixa a disputa concentrada, por enquanto, nas versões apresentadas pelos dois lados.

O governo britânico agora terá de aguardar os resultados das investigações para estabelecer oficialmente o que provocou a interrupção.

Enquanto isso, O’Leary mantém a pressão sobre a Nats. O executivo já havia criticado a capacidade operacional da empresa em outras ocasiões e transformou a nova pane em mais um questionamento público sobre a gestão do sistema de controle de tráfego aéreo britânico.

A disputa também acontece em meio ao processo judicial movido pela Ryanair contra a Nats, relacionado justamente ao impacto financeiro de uma falha anterior.

Processo judicial aumenta a pressão

A ação apresentada pela Ryanair no Tribunal Superior de Londres pede mais de 7 milhões de libras em indenização pela pane de 2023. A companhia também quer que a Nats adote medidas para reforçar sua estrutura operacional.

A empresa aérea defende investimentos no sistema e contratação de funcionários como parte das medidas necessárias para reduzir o risco de novas interrupções.

O novo episódio, portanto, não é um caso isolado para a Ryanair. A companhia já possui uma disputa financeira e operacional com a Nats e agora questiona publicamente a explicação dada para uma nova falha.

A investigação deverá determinar se existe alguma relação entre o problema atual e o incidente de 2023 ou se, como afirmou Rolfe, trata-se de uma ocorrência de natureza diferente.

Até que as apurações sejam concluídas, permanece a divergência entre a versão que a Ryanair diz ter recebido da Nats e aquela apresentada publicamente pelo presidente da operadora.

O episódio coloca novamente o sistema britânico de controle de tráfego aéreo sob escrutínio e aumenta a pressão sobre a Nats para explicar como uma falha técnica conseguiu provocar impactos em milhares de voos e, principalmente, por que as versões sobre sua origem são diferentes.

Para O’Leary, a questão já ultrapassou o campo técnico. Ao afirmar que Rolfe estaria “mentindo para salvar a própria pele”, o executivo levou a disputa para um nível ainda mais alto, enquanto governo e autoridades reguladoras iniciam as investigações que deverão estabelecer o que realmente aconteceu.

*Com informações de Valor

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