Encontro ocorreu à margem da Assembleia Geral da ONU, no hotel Lotte New York Palace, e marcou o primeiro contato presencial entre Trump e Delcy Rodríguez; líderes discutiram relações bilaterais e cooperação em energia, mineração e segurança.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, se reuniu na noite desta terça-feira (22) com a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, em Nova York. O encontro, realizado à margem da 81ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), foi o primeiro contato presencial entre os dois desde que forças americanas capturaram Nicolás Maduro em uma operação militar em Caracas, em janeiro. A reunião foi confirmada pela Casa Branca.
A reunião ocorreu no hotel Lotte New York Palace, durante uma recepção oferecida por Trump a líderes estrangeiros que participam da Semana de Alto Nível da ONU. O encontro foi realizado a portas fechadas e sem acesso da imprensa.
Participantes e temas discutidos
Além de Trump e Rodríguez, participaram da reunião o secretário de Estado americano, Marco Rubio; o secretário do Tesouro, Scott Bessent; a chefe de gabinete da Casa Branca, Susie Wiles; e o vice-chefe de gabinete, Stephen Miller.
Em publicação na rede social X, Rodríguez classificou o encontro como “histórico” e afirmou que os dois conversaram sobre o fortalecimento da relação bilateral e uma agenda de cooperação em áreas estratégicas, como energia, mineração e segurança.
A presidente interina também agradeceu a Trump pelo apoio prestado durante a emergência causada pelos terremotos de junho na Venezuela e pelo respaldo ao processo de reinserção do país nos espaços multilaterais.
“Venezuela e os Estados Unidos compartilham uma relação histórica que, nesta nova etapa, somos chamados a direcionar por meio do diálogo”, declarou Rodríguez.
Contexto: acordo petrolífero e aproximação
A reunião ocorreu semanas após Washington e Caracas anunciarem um acordo envolvendo a exploração de reservas de petróleo venezuelanas. Em agosto, Trump afirmou que os Estados Unidos haviam firmado um acordo que daria a empresas americanas participação majoritária em projetos envolvendo mais de 65 bilhões de barris de reservas comprovadas da Venezuela.
Segundo Rodríguez, o acordo prevê investimentos superiores a US$ 100 bilhões e tem como objetivo elevar a produção venezuelana para mais de 1,5 milhão de barris por dia, com duração prevista de 25 anos.
Em seu discurso na Assembleia Geral nesta terça-feira, Trump classificou o acordo como “talvez o maior negócio já realizado” e afirmou querer atrair US$ 100 bilhões em investimentos para a indústria petrolífera venezuelana.
Desde a captura de Maduro, em 3 de janeiro, Washington e Caracas iniciaram uma aproximação, com Rodríguez — que era vice-presidente de Maduro — assumindo a Presidência interina com apoio dos Estados Unidos.
Reações e críticas
A aproximação entre Trump e Rodríguez gerou críticas de setores da oposição venezuelana e de analistas que questionam os termos da relação entre Washington e Caracas. A líder opositora María Corina Machado criticou a aproximação e questionou a capacidade de Rodríguez de conduzir uma transição política no país.
Em Nova York, um grupo de venezuelanos protestou nesta terça-feira pela realização de eleições livres no país.
Rodríguez chegou a Nova York na segunda-feira (21), acompanhada de uma delegação que inclui integrantes da área econômica, o ministro do Petróleo e autoridades da estatal PDVSA. A viagem também teve como objetivo apresentar a Venezuela como destino para investimentos e discutir questões relacionadas a energia, mineração e dívida.
Próximos passos
Rodríguez deve discursar na Assembleia Geral da ONU nesta quarta-feira (23), em sua primeira participação no evento como presidente interina.
O encontro com Trump marcou o primeiro encontro presencial entre os dois desde a mudança de governo na Venezuela. O último contato entre um presidente americano e um líder venezuelano havia ocorrido em 2015, quando Barack Obama e Nicolás Maduro conversaram durante a Cúpula das Américas, no Panamá.