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Turismo brasileiro pode chegar a 14 milhões de estrangeiros em 2036, diz Bruno Reis na Abax Expo

Bruno Reis, presidente da Embratur, durante a abertura da Abav Expo 2026 (Yuri Ricci/M&E)

SÃO PAULO – O presidente da Embratur, Bruno Reis, afirmou nesta quarta-feira (30), durante a abertura da Abav Expo 2026, em São Paulo, que o próximo desafio do turismo brasileiro é transformar o crescimento registrado nos últimos anos em um novo patamar de geração de renda, empregos e distribuição dos fluxos pelo país.

Em seu discurso, Reis evitou concentrar a fala apenas nos recordes recentes do setor e defendeu uma mudança na forma de medir os resultados do turismo. “Em vez de falar de recordes, eu queria falar que a gente deveria comemorar algo muito maior: evolução e transição de mentalidade.”

De janeiro a agosto de 2026, o Brasil recebeu 6,45 milhões de turistas internacionais. No mesmo período, os gastos de visitantes estrangeiros chegaram a R$ 38,7 bilhões, alta de 10% em relação aos R$ 35 bilhões registrados no mesmo período de 2025. Somente em agosto, os gastos chegaram a R$ 4,8 bilhões.

Para Reis, os números precisam ser analisados além do volume de entradas. “O número de turistas é importante, mas existe algo ainda mais importante: trazer para o Brasil um turista que deixa impacto positivo no país, que permaneça mais tempo, que gaste mais, que conheça mais destinos, que gere emprego e renda, que ajude a desenvolver as economias locais e que queira voltar.”

O presidente da Embratur afirmou que o crescimento dos últimos anos está relacionado a uma estratégia de promoção internacional construída ao longo do período. “Nada do que aconteceu foi simplesmente orgânico. Havia uma estratégia por trás e fazer isso acontecer deu muito trabalho.”

Reis citou campanhas internacionais, participação em feiras, ações com operadores e agentes de viagens, projetos apoiados pela Embratur e iniciativas voltadas à inovação como parte desse processo.

Reis também comparou os resultados de 2006, 2016 e 2026. Segundo os números apresentados por ele, o Brasil recebeu cerca de 5 milhões de turistas internacionais em 2006, aproximadamente 6,5 milhões em 2016 e já chegou a 6,45 milhões entre janeiro e agosto de 2026.

O resultado alcançado entre janeiro e agosto de 2026 já se aproxima do volume de turistas internacionais registrado pelo Brasil em todo o ano de 2016.

A projeção para os próximos dez anos foi feita por Reis com auxílio de inteligência artificial. Segundo ele, ao inserir os dados apresentados durante o discurso em uma ferramenta de IA e perguntar sobre o cenário para 2036, a resposta apontou aproximadamente 14 milhões de turistas internacionais e US$ 16 bilhões em receita. “A IA me disse que, de acordo com o que a gente apresentou, o Brasil em 2036 vai receber aproximadamente 14 milhões de turistas internacionais e vai gerar US$ 16 bilhões de receita.”

A partir da projeção, Reis perguntou à ferramenta quem seria responsável por alcançar esse cenário. A resposta apontou para uma responsabilidade compartilhada. “Ela disse que é uma responsabilidade compartilhada.”

Reis citou o governo federal, o Ministério do Turismo, a Embratur, estados, municípios, aeroportos, companhias aéreas, entidades do setor, hotéis, restaurantes, parques, guias, operadoras, agências, universidades e o Congresso Nacional como partes envolvidas no desenvolvimento da atividade turística. “Quem vai fazer isso acontecer em 2036 somos nós. Nós que estamos aqui hoje, nós que estamos nessa cerimônia, nós que estamos trabalhando todos os dias, que acreditamos no turismo, que somos a potência dessa indústria.”

O discurso também destacou a necessidade de ampliar a participação do turismo nas decisões públicas. “A gente precisa ter consciência dessa força. A gente precisa saber dialogar e influenciar diferentes esferas de poder para colocar o turismo no lugar de importância e reconhecimento que ele merece na agenda do Brasil.”

Turismo registra avanço em empregos, conectividade e crédito

Entre janeiro e agosto, o turismo de negócios movimentou R$ 9,7 bilhões, enquanto o transporte aéreo doméstico chegou a 68,3 milhões de passageiros no período. Dados apresentados durante o evento apontam ainda 88,6 milhões de passageiros em voos domésticos e internacionais nos oito primeiros meses de 2026.

Entre janeiro e agosto, 4,47 milhões de visitantes internacionais chegaram ao Brasil por via aérea. No período, os gastos de estrangeiros chegaram a R$ 38,7 bilhões, segundo os dados apresentados durante o evento.

Reis também citou a geração de empregos. De acordo com os dados apresentados no evento, o setor gerou 93 mil empregos em 12 meses.

O Cadastur chegou a 199.649 empreendedores registrados até setembro. Já o Fungetur formalizou 1.317 contratos nos oito primeiros meses de 2026.

A fala também marcou a preparação para os 60 anos da Embratur. A agência completa seis décadas em 18 de novembro de 2026. Ao encerrar o discurso, o presidente da Embratur voltou a defender uma atuação conjunta do setor. “O que falta para completar essa transição de mentalidade da nossa indústria é muito simples: é fazer mais e falar menos. É fazer junto. É fazer com estratégia, com compromisso e com espírito coletivo.”

A 53ª Abav Expo acontece de 30 de setembro a 2 de outubro, no Expo Center Norte, em São Paulo. A edição de 2026 reúne mais de 2 mil marcas e tem expectativa de receber mais de 40 mil participantes.

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