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Vorcaro bancou viagens de servidores do BC a Paris e à Disney – Gazeta Brasil

Relatórios enviados ao STF, e tornados públicos após André Mendonça retirar o sigilo do caso Master, indicam que o ex-banqueiro custeou viagem de Belline Santana e da esposa a Paris e de Paulo Sérgio Neves de Souza e família à Disney. Os servidores são acusados de atuar para favorecer o Banco Master.

A Polícia Federal (PF) afirmou em relatórios enviados ao Supremo Tribunal Federal (STF) que o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, bancou viagens e jantares internacionais para dois servidores do Banco Central acusados de atuar em favor da instituição financeira. Os documentos foram tornados públicos após o ministro André Mendonça retirar o sigilo de parte dos autos do caso Master, atendendo a uma determinação do presidente da Corte, Edson Fachin.

Viagem a Paris e à Disney

De acordo com a investigação, Vorcaro teria custeado parte de uma viagem do ex-chefe de Supervisão Bancária Belline Santana junto com a esposa para Paris. O ex-banqueiro “tratou diretamente com prestadores de serviços no exterior sobre reservas de restaurantes, recepção e logística, chegando inclusive a encaminhar o contato pessoal do servidor para que a programação fosse finalizada”, aponta a PF.

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Vorcaro orientou duas pessoas sobre a organização de um jantar no restaurante Lapérouse e de um almoço no restaurante Loulou. “Uma indicação de que os eventos seriam pagos por Vorcaro é o fato de ele indicar que deveriam ser pedidos nos restaurantes bons vinhos e comida”, afirma o relatório policial. O documento cita que Belline e a mulher viajaram a Paris no período das mensagens, mas não detalha outras despesas pagas nem os valores.

No caso do ex-diretor de Fiscalização Paulo Sérgio Neves de Souza, a PF diz que “identificaram-se elementos que apontam para o custeio de viagem internacional à Disney para ele e sua família”, com base em diálogos entre o servidor e Vorcaro nos quais o próprio ex-diretor encaminhou um roteiro de passeios para o banqueiro.

Pagamentos e manifestações das defesas

A PF afirma ainda que Belline Santana receberia R$ 500 mil por mês do Banco Master. Documentos anexados ao processo mostram comprovantes de repasses para ele que totalizam R$ 3,8 milhões, apontados pela polícia como pagamento para favorecer o banco. A defesa de Belline e os responsáveis pelos repasses sustentaram anteriormente que se tratava de recursos destinados a um programa de treinamento financeiro de jovens.

O advogado de Belline Santana, Leonardo Palazzi, argumentou que o depoimento do diretor de Fiscalização do BC, Ailton de Aquino, confirmou a atuação funcional e institucional de seu cliente, inclusive na interlocução com a Polícia Federal sobre possíveis ilícitos no Master. A defesa disse que o ex-chefe de Supervisão adotou as providências necessárias e negou que Vorcaro exercesse influência sobre ele.

Por sua vez, o advogado de Paulo Sérgio, Odel Antun, afirmou que o ex-diretor participou da identificação e comunicação de irregularidades envolvendo a cessão de carteiras de crédito do Master ao BRB e operações relacionadas aos fundos Bravo e Reag. A defesa destacou que o servidor e sua equipe reuniram documentos e prepararam representações ao Ministério Público Federal que deram origem às duas primeiras fases da Operação Compliance Zero, sustentando que ele defendeu a apuração de gestão fraudulenta e não os interesses do banqueiro.

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Atuação em favor do Master

Nos relatórios, a Polícia Federal conclui que os dois servidores do Banco Central “atuaram de forma recorrente na defesa e promoção de interesses privados” de Vorcaro, “extrapolando de maneira significativa, ao que tudo indica, os limites de suas atribuições funcionais no BCB”.

“Ambos passaram a oferecer orientação técnica reiterada, revisar minutas de documentos destinados ao próprio BCB, repassar possíveis informações internas de caráter sensível (ou mesmo sigiloso) e participar de reuniões extraoficiais nas quais eram alinhadas estratégias privadas voltadas ao atendimento dos interesses do conglomerado Master”, pontua a corporação no documento.

Procuradas na madrugada desta sexta-feira (11) via aplicativo de mensagens, as defesas dos dois servidores não responderam até o fechamento desta reportagem, mas mantêm o posicionamento de que negam o recebimento de contrapartidas indevidas.

O espaço segue aberto para manifestação de todos os citados.

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