
Igreja do Evangelho Pleno de Yoido e Igreja SaRang investigam invasões a seus sistemas; informações potencialmente comprometidas incluem nomes, datas de nascimento, endereços, telefones e números de identificação.
Duas das maiores igrejas protestantes da Coreia do Sul investigam ataques cibernéticos que podem ter comprometido dados pessoais de centenas de milhares de pessoas. O caso envolve a Igreja do Evangelho Pleno de Yoido, em Seul, considerada uma das maiores congregações do mundo, e a Igreja SaRang, também localizada na capital sul-coreana.
A empresa de segurança digital Oasis Security identificou registros de ataques e informações de contas relacionados às duas instituições em um servidor localizado fora da Coreia do Sul. Uma análise inicial indicou que os dados de aproximadamente 850 mil membros da Igreja do Evangelho Pleno de Yoido podem ter sido expostos.
As informações foram divulgadas pelo The Christian Post e pela agência Reuters, com base em comunicados das igrejas e em análises de especialistas em cibersegurança. As investigações ainda buscam determinar a extensão dos incidentes e como os invasores conseguiram acessar os sistemas.
Dados pessoais de membros podem ter sido comprometidos
A Igreja do Evangelho Pleno de Yoido informou que foi comunicada sobre a suspeita de invasão pela Agência Coreana de Internet e Segurança (KISA). Após receber o aviso, a instituição iniciou uma análise dos registros e dos sistemas envolvidos.
De acordo com a igreja, os dados potencialmente expostos incluem nomes e datas de nascimento. Alguns registros de alterações cadastrais também contêm informações relacionadas a números de identificação nacional, endereços e telefones.
A instituição informou que está notificando os membros potencialmente afetados e adotou medidas emergenciais para reduzir os riscos de novos acessos indevidos. Entre as providências estão o bloqueio de acessos externos aos sistemas e a alteração das senhas dos servidores.
A igreja também anunciou planos para substituir o firewall — sistema utilizado para filtrar conexões e bloquear acessos não autorizados — e contratar empresas especializadas para avaliar vulnerabilidades e reforçar a segurança digital.
O pastor Lee Young-hoon, líder da congregação, pediu desculpas pela preocupação causada pelo episódio e reconheceu a responsabilidade da instituição na proteção dos dados dos fiéis.
Igreja SaRang também investiga invasão
A Igreja SaRang confirmou que está apurando um possível ataque cibernético próprio. Segundo informações reunidas pela Oasis Security, o incidente pode envolver dados de aproximadamente 89 mil membros e arquivos funcionais de 286 funcionários, incluindo informações relacionadas ao pastor principal.
A instituição criou uma equipe de resposta emergencial e comunicou o caso às autoridades. Também informou que está tomando medidas para esclarecer o ocorrido e evitar novos danos.
Até o momento das informações divulgadas, as duas igrejas não haviam determinado definitivamente como os invasores conseguiram entrar nos sistemas nem identificado publicamente os responsáveis pelos ataques.
Investigação aponta possível uso de inteligência artificial
Os registros examinados pela Oasis Security continham sinais de que ferramentas de inteligência artificial (IA) podem ter sido utilizadas durante as invasões. Entre os indícios estavam referências a “subagentes”, programas auxiliares que podem ser acionados por sistemas de IA para executar tarefas específicas, além de relatórios de ataque aparentemente automatizados.
Segundo os pesquisadores, essas evidências sugerem que ferramentas automatizadas podem ter participado de etapas da atividade dos invasores. No entanto, ainda não está esclarecido qual foi o papel exato da inteligência artificial nos ataques às igrejas.
A investigação também identificou métodos diferentes de acesso aos sistemas. Em um dos casos analisados, os invasores teriam explorado uma vulnerabilidade que permitiu acesso administrativo à rede. No outro, os registros indicaram o possível uso de senhas vazadas e falhas em aplicações internas.
Os pesquisadores não divulgaram a identidade dos responsáveis, sua nacionalidade ou uma motivação confirmada para os ataques.
Casos ocorrem após ataques contra bancos sul-coreanos
Os incidentes envolvendo as igrejas surgem em meio a preocupações mais amplas com a segurança digital na Coreia do Sul. Recentemente, ataques contra instituições financeiras do país também resultaram na exposição de informações pessoais de clientes.
O presidente sul-coreano, Lee Jae-myung, declarou que havia sinais de uso de inteligência artificial em alguns dos ataques contra bancos. As autoridades investigam os episódios em meio à preocupação com a capacidade de novas ferramentas tecnológicas de facilitar atividades criminosas digitais.
No caso das igrejas, as investigações continuam para determinar quais informações foram efetivamente acessadas ou retiradas dos sistemas e quantas pessoas foram impactadas. A possibilidade de exposição de dados não significa, por si só, que todas as informações dos membros tenham sido divulgadas publicamente.
Folha Gospel com informações de The Christian Post, Reuters e The Record