Brasileiros têm comprado mais motos de alta cilindrada

As motos de alta cilindrada foram as que mais cresceram na produção brasileira nos nove primeiros meses de 2026. O avanço foi de 19,7% sobre o mesmo período de 2025, o dobro dos 9,9% registrados pelo mercado como um todo. Os números, apresentados pela Abraciclo, associação dos fabricantes, mostram que o mercado de motos não cresce apenas por necessidade, mas também por gosto.

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O crescimento parte de uma base pequena. A alta cilindrada responde por 2,8% de tudo o que saiu das linhas de montagem no período. A faixa de entrada, de até 160 cm³, segue dominante, com 78,8% da produção, e a média motorização fica com 18,4%. Porém, o percentual é o que mais cresce!

Veja o desempenho de cada faixa de janeiro a setembro de 2026:

  • Alta cilindrada: 46.543 unidades produzidas (2,8% do total), alta de 19,7%
  • Baixa cilindrada (até 160 cm³): 1.295.499 unidades (78,8%), alta de 10,3%
  • Média cilindrada: 302.992 unidades (18,4%), alta de 7,3%

Naked e Sport Touring puxam o avanço

Kawasaki Z900 R edition (2)
A Kawasaki Z900 é a mais vendida dentre as naked grandees (Foto: Kawasaki | Divulgação)

A Abraciclo citou crescimento de 39% nas nakeds e de 600% nas sport touring no acumulado do ano. Os dois nichos, no entanto, estão entre as categorias que respondem por menos de 2% da produção cada uma — o que ajuda a explicar percentuais tão altos. Em setembro, por exemplo, a sport touring somou 430 motos fabricadas, e a naked, 3.474.

O ranking de produção por categoria continua concentrado no básico: street lidera com 842.150 unidades (51,2% do volume), seguida por trail (328.636 e 20%) e motoneta (214.200 e 13%). A scooter aparece logo depois, com cerca de 9%.

Segundo a Fenabrave, as motos de alta mais vendidas do mercado são:

  • BMW R 1300 GS Adventure (1.300 cm³): 2.566 unidades
  • Triumph Tiger 900 (888 cm³): 2.207
  • Kawasaki Z900 (948 cm³): 1.962
  • BMW R 1300 GS (1.300 cm³): 1.383
  • BMW F 900 GS (895 cm³): 1.302
  • Honda CRF 1100L Africa Twin (1.084 cm³): 1.261
  • BMW S 1000 RR (999 cm³): 682
  • Harley-Davidson Road Glide: 400
  • BMW R 1300 RT (1.300 cm³): 303
  • Harley-Davidson Street Glide: 163

Abraciclo vê migração de faixa, não moda passageira

Para o presidente da Abraciclo, Marcos Bento, o avanço das cilindradas maiores indica um mercado em expansão equilibrada.

Aquele que adquire a sua motocicleta está mudando de faixa e assim o mercado d emoto tem atraindo novos públicos”, afirmou.

Para Bento, o movimento não é esporádico e ele esperaa continuidade. Segundo ele, trata-se de “um público que busca um perfil de lazer, um público de classe média alta que vem tomando gosto pela motocicleta, com até migração do segundo veículo como opção à motocicleta”. O crescimento, na avaliação dele, “deve se manter nos próximos anos”.

BMW S 1000 RR fábrica manaus amazonas
A fabricação deve ser cada vez mais ampliada no Polo (Foto: BMW | Divulgação)

Produção tem o melhor resultado desde 2008

De janeiro a setembro, a indústria de motos do Polo Industrial de Manaus produziu 1.645.034 motocicletas, 148 mil a mais que em 2025. É o melhor desempenho para o período desde 2008, segundo levantamento da própria associação. Só em setembro foram 186.758 unidades, melhor marca para o mês desde 2011, ainda que o volume tenha recuado 8,5% em relação a agosto.

É o segundo ano seguido em que o deslocamento para cima aparece nos números da associação. Em 2025, o destaque tinha sido a média cilindrada; agora, a alta.

Projeção do ano sobe para 6%, abaixo do ritmo atual

Com o desempenho acumulado, a Abraciclo revisou para cima as projeções de 2026. A produção estimada passou de 2.070.000 para 2.100.000 unidades, alta de 6% sobre 2025. O varejo foi de 2,3 milhões para 2.350.000 motos emplacadas (+6,9%) e as exportações saltaram de 45 mil para 48 mil unidades — aqui, a projeção de crescimento mais que dobrou, de 4,4% para 11,3%.

A projeção revisada de produção ainda fica abaixo dos 9,9% de alta já registrados até setembro, o que implicaria um quarto trimestre mais fraco. Bento negou essa leitura e tratou a revisão como ajuste da projeção anual, sem detalhar as premissas: “Este crescimento de 6% ele está dentro da expectativa e é um crescimento muito positivo para esse ano de 2026”.

No varejo, os emplacamentos somaram 1.783.972 unidades de janeiro a setembro, recorde histórico para o período, com alta de 10,5%. A associação não abriu esse número por faixa de motorização.

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