O Ford Ka sempre foi meio sinônimo de carro pequeno. Isso mudou um pouco com a chegada da terceira e última geração vendida no Brasil, mas é inegável que o carro ficou mais espaçoso e melhor resolvido em várias questões.
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Vamos focar no Ford Ka 2020, já com a última remodelação, com melhorias evidentes na dinâmica e conjuntos mecânicos bem resolvidos: em especial o 1.5 12V com câmbio automático (automático, mesmo).

Veja agora 10 fatos sobre o Ford Ka 2020.
1. Trajetória do Ford Ka
A história do Ford Ka no Brasil começa em 1997 como um hatch subcompacto com dimensões enxutas, capacidade para até quatro pessoas e design ousado. Essa geração do carro teve versões e motores inesquecíveis no mercado brasileiro.

Em 2008 veio a segunda geração, considerada mais sem graça no estilo por muitos e agora homologado para cinco passageiros. Mas manteve a pegada de hatch urbano econômico e fácil de estacionar.
A grande virada da linha Ford Ka veio mesmo em 2014, quando foi lançada a terceira geração. O modelo deixou de ser um subcompacto e assumiu sua proposta de carro compacto acessível para famílias pequenas.
Com quatro portas e um pouco mais de espaço interno, essa fase do Ka ainda trouxe motores de três-cilindros para a linha, ganhou equipamentos ao longo dos anos e em 2017 estreou uma versão aventureira Trail.

Em 2018 o Ford Ka passou por uma remodelação interessante. Não só no design, mas principalmente na mecânica com novo motor, opção de câmbio automático e ajustes estruturais em sua arquitetura.
No ano seguinte a versão aventureira passa a se chamar Freestyle, e a gama recebe uma série especial 100 anos em comemoração à presença da marca no Brasil. Curiosamente, a Ford bateu asas e voou dois anos depois.
A Ford encerrou suas atividades industriais no país e pôs fim à produção do Ka – e também, do EcoSport. Ao somar todas as gerações, o hatch teve mais de 1,1 milhão de unidades vendida no país em em 24 anos.
2. Desempenho do Ford Ka 1.0
A família de motores TiVCT permanece, até hoje, entre as mais bem avaliadas da Ford. O conjunto se destaca pelo reduzido nível de vibração e pela boa disposição em rotações mais baixas, características que favorecem o uso urbano e reforçam aquela percepção de agilidade no trânsito.
No caso do 1.0, o propulsor entrega 85 cv com etanol e 80 cv, com gasolina, além de 10,7 e 10,2 kgfm de torque, respectivamente. Esses números, aliados ao peso contido do Ka, resultam em respostas rápidas e desempenho satisfatório na cidade.
O motor se vale de comandos variáveis de válvulas, tanto na admissão quanto no escape, além de um sistema de arrefecimento dividido em dois estágios, o que contribui para o consumo.
Por falar nisso, segundo os dados do PBEV/Inmetro de 2020, o Ford Ka 1.0 12V registra as seguintes médias:
- Consumo etanol cidade: 9,3 km/l
- Consumo gasolina cidade: 13,3 km/l
- Consumo etanol estrada: 10,8 km/l
- Consumo gasolina estrada: 15,6 km/l
3. Desempenho do Ford Ka 1.5

Um dos upgrades bacanas no Ford Ka na atualização de 2018 foi a estreia do motor 1.5 12V Dragon. Com bloco de alumínio, três cilindros e variação nos comandos, rende 137 cv de potência com etanol e 128 cv, com gasolina.
Esse propulsor deu uma bela animada no Ford Ka. As acelerações são bem mais espertas e o carro desenvolve bem, seja na cidade, seja na estrada. O 0 a 100 km/h fica em 9,9 segundos.
Nas retomadas é preciso manter sempre uma marcha abaixo. Muito em parte pelo fato de os 16,1 kgfm (etanol) e 15.6 kgfm (gasolina) estarem em sua plenitude a uma faixa de rotações alta, 4.750 rpm. Mas nada que desabone sua performance.
Confira os dados de consumo do Ford Ka 1.5 manual pela tabela 2020 do PBEV:
- Consumo etanol cidade: 8,8 km/l
- Consumo gasolina cidade: 12,4 km/l
- Consumo etanol estrada: 10,5 km/l
- Consumo gasolina estrada: 14,8 km/l
4. Enfim, um câmbio decente
Juntamente com o motor 1.5 Dragon, veio também um câmbio automático bom para a linha do compacto da Ford. Nada de Powershift: o Ka passou a ter versões com a caixa 6F15, por conversor de torque e com seis marchas.
Com a transmissão, o hatch desenvolve bem. Os suaves trancos pontuam as acelerações e não prejudicam tanto assim o desempenho. O 0 a 100 km/h fica em 10,7 segundos.
No geral, o Ford Ka 1.5 automático anda bem, tem rodar confortável, mas obviamente cobra um pouco no consumo. Veja as médias pelo PBEV/Inmetro de 2020.
- Consumo etanol cidade: 8,4 km/l
- Consumo gasolina cidade: 11,7 km/l
- Consumo etanol estrada: 9,9 km/l
- Consumo gasolina estrada: 14,5 km/l
5. Dinâmica
A reestilização do Ford Ka marcou uma virada importante no comportamento dinâmico desta terceira geração do compacto. A engenharia da Ford revisou a estrutura do modelo com foco na rigidez torcional, que avançou cerca de 5% graças à inclusão de reforços no teto e nas colunas centrais.
O trabalho não se limitou à carroceria: a marca também recorreu a um defletor aerodinâmico, que reduziu o coeficiente de arrasto de Cx 0,34 para Cx 0,33. A suspensão recebeu molas e amortecedores com calibração mais firme, enquanto a direção com assistência elétrica passou a adotar um acerto mais rígido.
O conjunto resultou em um carro mais estável, menos suscetível a rolagens e mais responsivo em curvas – meio que uma resposta ao objetivo da Ford de afastar o Ka da condução mais macia de rivais como Hyundai HB20 e Chevrolet Onix.
6. Espaço interno e conforto

Produzido em Camaçari (BA), o Ford Ka nunca se destacou pelo espaço interno, mas se manteve dentro das expectativas do segmento. A posição de dirigir é adequada, com bom espaço para pernas e joelhos, embora a ausência de ajuste de profundidade do volante limite a ergonomia – há apenas regulagem de altura.
No banco traseiro, o espaço é suficiente para dois adultos, desde que não ultrapassem 1,80 m de altura. O porta-malas, porém, é um ponto fraco: com 257 litros, fica atrás dos 300 litros do HB20 e dos 275 litros do Onix.
7. O Ka aventureiro
A Ford aproveitou o prestígio da versão aventureira do EcoSport para lançar, em 2018, o Ka Freestyle. Inicialmente equipado apenas com motor 1.5, o modelo segue a fórmula dos off-road urbanos: molduras nos para-lamas e para-choques, grade exclusiva, rodas escurecidas, saias laterais, rack no teto e suspensão elevada e reforçada.

O interior traz acabamento diferenciado, com mistura de tecido e material que imita couro, além do pacote de equipamentos equivalente ao da versão Titanium. Com participação modesta nas vendas, inferior a 10%, a Ford tentou ampliar o apelo da versão ao lançar, em 2020, o Ka Freestyle 1.0, com a mesma proposta estética e o posicionamento dentro da linha.
Pela KBB Brasil, o Ford Ka 2020 na versão Freestyle com motor 1.0 e câmbio manual tem os seguintes preços (setembro de 2026):
- Preço de Revendedor: R$ 56.700
- Preço de Particular: R$ 51.030
8. Titanium: a versão mais completa do Ford Ka 2020
A configuração Titanium se consolidou como a mais equipada da gama, sem o visual aventureiro do Freestyle. O pacote inclui quatro airbags, controles de estabilidade e tração, assistente de partida em rampas, sensor e câmera de ré.

Além disso, tem ar-condicionado, trio elétrico completo, bancos revestidos de couro, chave presencial e rodas de liga leve aro 15”. A central multimídia Sync com tela de 6,5” permite espelhamento de smartphone e oferece tomada USB e conexão Bluetooth.
Pela KBB Brasil, o Ford Ka 2020 na versão Titanium 1.5 AT tem os seguintes preços (setembro de 2026):
- Preço de Revendedor: R$ 71.406
- Preço de Particular: R$ 64.265
9. Manutenção: olho na correia molhada!
Se você acha que atenção à correia dentada banhada a óleo é exclusividade dos donos do Onix, está enganado. O Ford Ka também tinha a peça, que foi desenvolvida para durar mais e ser menor barulhenta, mas que o desleixo na manutenção pode transformá-la em dor de cabeça.
A correia banhada trabalha imersa no mesmo óleo do motor. Por isso, é importante colocar apenas lubrificante indicado pela montadora – no caso do Ford Ka 1.5 AT 2020, 5W20. Produto fora das especificações vai prejudicar o propulsor e ainda desintegrar a correia, que vai soltar resíduos no óleo.
Além disso, a Ford indicava troca da peça a cada 160 mil km. Não espere tanto. O ideal é já fazer a substituição antes dos 100 mil km. E sempre verificar o estado da correia a cada revisão.
No mais, confira os preços médios de peças do Ford Ka 2020 com motor 1.5 e câmbio automático:
- Jogo com 4 pastilhas de freio dianteiras: R$ 150 a R$ 320
- Jogo com 3 velas de ignição: R$ 90 a R$ 210
- Bomba de combustível: R$ 390 a R$ 540
- Kit troca de óleo (4 litros 5W20 + filtro): R$ 250 a R$ 390
- Amortecedores traseiros (par): R$ 420 a R$ 600
- Para‑choque traseiro: R$ 430 a R$ 720
- Farol direito: R$ 390 a R$ 680
10. Problemas comuns do Ford Ka
Relatos de proprietários em fóruns e no Reclame Aqui apontam falhas recorrentes no modelo, especialmente:
- Ruídos na embreagem ao engatar a marcha à ré
- Dificuldade nos engates do câmbio
- Problemas ao dar partida
- Infiltração de água na cabine
- Barulhos internos
Recalls:
- troca dos fechos dos cintos de segurança em unidades 2016
- substituição do volante da direção em modelos fabricados em 2019
- instalação de isolante e clipe de retenção no chicote do sistema de monitoramento da bateria em carros feitos em 2018 e 2019
- substituição da estrutura dos bancos em veículos produzidos entre 2018 e 2019
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